Impressão digital #0057: O DJ e as redes sociais

A minha coluna no Caderno 2 foi sobre o debate sobre música eletrônica e redes sociais que mediei no YouPix, semana passada.

O DJ e a internet
Redes sociais e vida noturna

No dia 2 de abril, a colunista do C2+Música Claudia Assef publicou o artigo A Música Eletrônica Cresceu Demais?, em que comentava que os hábitos noturnos de São Paulo haviam mudado e como a noite paulistana havia deixado de se importar com música. Conversando com Facundo Guerra, empresário da noite e dono de casas como o Lions e o Vegas, ela ouviu que “os clubes já não são mais templos de música. São extensões das redes sociais, ponto de encontro. O cara vai na boate pra encontrar aquela menina que ele cutucou no Facebook. A música virou trilha de fundo”. E com as redes sociais, o artigo correu sozinho pela internet, gerando comentários acalorados e discussões enfurecidas.

Foi o suficiente para que a publicitária Lalai Luna, que também produz festas, resolvesse entrar na discussão, incentivando-a. Lalai estava na curadoria de uma das áreas do festival YouPix, que cresce ano após ano e que pode ter fôlego para disputar com a Campus Party o título de principal evento de cultura digital do País. E resolveu convidar algumas pessoas para continuar a discussão iniciada nas páginas do caderno. Além da Claudia e de Facundo, Lalai também participou da mesa e chamou a blogueira e produtora de festas Flávia Durante, o produtor e publicitário Bruno Tozzini e o jornalista e DJ Camilo Rocha e este nada modesto missivista para mediar a mesa. O título da discussão era propositalmente polêmico – As redes sociais estão matando a música eletrônica? –, mas o debate fugiu de rusgas fáceis e a discussão chegou a alguns pontos interessantes, que resumo aqui.

Sim – a noite virou uma extensão das redes sociais. As pessoas estão realmente mais interessadas em “reencontrar” pessoalmente os amigos com quem passaram o dia conversando, seja no Twitter, via Gtalk, no Facebook ou pelo MSN. E não é que as pessoas deixaram de se interessar por música, mas é que elas querem ouvir músicas que já conhecem, daí um fenômeno recente – de uns dez anos para cá – do frequentador que pede música para o DJ, algo considerado profano nos tempos em que o DJ era o soberano da noite. Talvez isso ocorra porque as pessoas estão ouvindo menos rádio e encontram, na noite, uma alternativa à zona de conforto que era o rádio em seus dias de glória.

Acontece que o DJ está perdendo a importância vertical que tinha sobre a pista – algo que afetou qualquer área que tenha sido invadida pela internet. Do mesmo jeito que as indústrias da música, do cinema, dos games, das notícias, entre outras, a cultura noturna também foi afetada pela horizontalização imposta pela rede. Agora é hora de aprender a lidar com isso para seguir a história.

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Sem Resultados

  1. João Vicente disse:

    Acho que tem uma confusão nessas relações de causa e efeito.

    A músca eletrônica nunca esteve tão viva, e deve muito disso às redes sociais.

    Se por um lado as redes sociais subverteram a estrutura da noite (o que nada tem a ver com provocar o “fim” da “verdadeira” música eletrônica), por outro lado elas contribuem para a troca de informação e apresentam novos artistas. Nesse contexto, a música eletrônica, assim como outros gêneros que sempre estiveram limitados a um nicho, conseguem alcançar um número muito maior de interessados.

    E se alguns DJs estão cada vez mais longe dos palcos para ficar mais perto da pista de dança (o que pode ser considerado uma coisa boa), há outros que continuam soberanos da noite. Aí entra aquela discussão do DJ que cria e do DJ que bota música pra geral dançar.

    O importante, como você disse, é aprender a lidar com isso para seguir a história.

  2. Mancha disse:

    Bom.. realmente, se resumir a música eletrônica às 4 ou 5 casas do Facundo, sim… estão determinadas pelas redes sociais.

  3. Dimitri disse:

    Eu acho que discutir DJ é que é ultrapassado!!

  4. Rafael Bernardino disse:

    Desque me entendendo por gente, o público brasileiro em geral quer ouvir o que já conhece. A única diferença é a popularização da músia eletrônica, que agora sofre com o mesmo problema.

  1. 04/05/2011

    […] O Matias, no artigo dele nesse domingo no Estadão, resumiu a ópera assim: “do mesmo jeito que as indústrias da música, do cinema, dos games, das notícias, entre outras, a cultura noturna também foi afetada pela horizontalização imposta pela rede.” São os tempos, como bem definiu a Clau no título do seu programa de TV, onde “todo mundo é DJ”. […]

  2. 05/05/2011

    […] começou com o artigo da Claudia, ricocheteou pelas redes, virou tema de debate do YouPix, rendeu um artigo do Matias e um texto meu aqui mesmo no blog, e ainda não se […]

  3. 10/05/2011

    […] fizeram pra uma das primeiras musicas que apareceram online, “Live Those Days Tonight”, como combustível para aquele debate sobre internet x DJ do YouPix, que acabou resvalando na nostalgia de uma pista de dança do […]