Impressão digital #0041: o fim do computador

E minha primeira coluna no Caderno 2 em 2011 foi sobre o… fim do computador.

Adeus, computador
Kinect, iPad e o celular em 2011

Um recorde foi batido duas vezes durante 2010: o de aparelho eletrônico que vendeu mais rápido na história. O detentor da marca anteriormente era o aparelho de DVD, lançado no final dos anos 90, mas na metade de 2010, o iPad da Apple, que só no primeiro dia nas lojas já havia alcançado a incrível marca de 300 mil unidades vendidas, garantiu o título. Em dois meses após seu lançamento, já havia mais de dois milhões de tablets passando de mãos em mãos pelo planeta.

Quase no fim do ano, o Kinect, acessório para os games da Microsoft, bateu o mesmo recorde, vendendo quase o dobro que o iPad no mesmo curto período de tempo.

Os dois aparelhos têm diferentes propósitos, mas são bem mais parecidos do que dá para supor. iPad e Kinect foram lançados visando ao entretenimento do consumidor final – o primeiro é um dispositivo portátil de conexão à internet, o segundo um acessório para o console de videogame Xbox 360. Também são os filhotes mais queridos de duas velhas rivais, a Apple e a Microsoft. E é aí que outras coincidências começam a ganhar até um ar de ironia.

Principalmente pelo caso de, graças à Apple e Microsoft, estarmos acostumados ao formato monitor, teclado, gabinete e mouse, para trabalhar, nos comunicar e nos entreter. Eis a ironia: as duas empresas estão apostando suas fichas em algo que não tem nada a ver com o formato digital que estabeleceram no final dos anos 70 e é central no dia a dia da maioria das pessoas do mundo: o computador pessoal.

Isso não quer dizer, no entanto, que já é hora de aposentar o velho desktop – mas já dá para dizer, sem exagero, que o computador já não é a central do mundo digital como foi há até poucos anos. Este lugar está passando para o celular, à medida que o telefone móvel ganha novos recursos e, claro, acessa a internet. Pode reparar – se ainda não aconteceu com você, é bem provável que ao seu redor muita gente já use o celular para traçar rotas em mapas online, para descobrir o telefone ou o endereço daquele restaurante ou em que cinema está passando aquele filme num determinado horário.
iPad e Kinect, portanto, só vêm acelerar o processo de distanciamento do computador.

Com o primeiro, ler um blog ou assistir a um filme comprado online tornou-se uma atividade tão trivial e corriqueira quanto ler um livro de papel. Com o segundo, controlar a ação de um videogame – e, consequentemente, daquilo que acontece na tela – não mais pressupõe ter um controle na mão, afinal você mexe no que está vendo apenas com o movimento do corpo, detectado pelo acessório.

Mais do que isso: ambos abolem por completo mouse e teclado, dando aos movimentos das mãos e do corpo liberdade para interagir com a tela. Isso é só o começo. Não vai demorar para que esse tipo de interação migre para a televisão, para o carro e para outros aparelhos com que temos de lidar diariamente.

Mas iPad e Kinect apenas aceleram um processo que, como já disse, é encabeçado pelo celular. E se você acha que nunca vai precisar do telefone móvel para acessar a internet, melhor pensar duas vezes. Se não dá para cravar que 2011 será o último ano do computador pessoal, já posso afirmar, sem dúvida, que você usará seu celular para acessar a internet em menos de um ano. Se já não estiver fazendo isso.

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Sem Resultados

  1. Ramon Moreira disse:

    Estou lendo a matéria em um celular…
    Abraços.

  2. Na verdade, são todos computadores. Muda a interface, o formato do hardware e a forma de interação. Mas o processador, a memória, o acelerador de gráficos e a programação continuam lá, junto com os outros companentes. O computador não não está morrendo, só está elvoluindo e mundado de forma. :p

  3. Dizer que é tudo computador é a mesma coisa que dizer que uma moto, um carro e uma lancha são a mesma coisa porque têm motores a explosão. O uso é diferente, a forma de pensar é diferente.

  4. Perfeito, Rodolfo.

  5. Não concordo. São todos veículos e têm basicamente a mesma utilidade que é o transporte. Notebooks e desktops apresentam diferenças físicas e são computadores também. Assim como os smartphones e consoles. O próprio PS3, em sua versão original, era usado para processar dados em centros de pesquisa. Todos eles computam.

  6. Ah, só para constar: é claro que o Matias está falando sobre os computadores pessoais no texto. Minha “encrenca” é só refente ao termo computador no sentido puro da palavra. Também acho que o desktop está com os dias contados…

  7. Não sei se discordo ou concordo do James, mas ele levantou uma questão interessante.

    Talvez num futuro próximo sejam lançados dispositivos “unitasker” para fazer coisas específicas. Aí sim eu concordaria com o Matias, de que substitiríamos os “computadores” por coisas diferentes e aposentaríamos os velhos PCs e Macs.

    Mas se uma bateria de PS3 pode virar supercomputador e um iPod touch pode mandar email, trabalhar no photoshop, editar textos e assistir ao YouTube, nenhum dos dois é muito diferente de um PC de mesa. Por esse viés, o James está competamente certo.

    E eu tendo a concordar com ele nisso.

    E não se esqueçam: 2011 vai ser o ano do Linux!

  8. Po, James, mas tu acabou de sair de fininho da briga, hein… O que eu tou falando eh justamente do desktop… Smartphone é tão computador quanto os supercomputadores da Nasa ou do Google. O lance eh justamente o conjunto monitor+torre+mouse+teclado que ta indo pro passado…

  9. Hahaha! Eu sei Matias. Eu mesmo acho que esse conjunto de dispositivos só ocupa espaço na mesa. Hoje, eu recomendaria um all-in-one para qualquer usuário padrão que navega, vê-mail, assiste vídeo e trabalha com os aplicativos normais. Só aí já eliminamos a torre. Se for para ser mais ousado, podemos pegar o novo tablet da Motorola com saída HDMI e conectá-lo à TV da sala, com um teclado sem fio ou um controle de movimento como o novo “Kinect” da Asus. rs

  10. Mesmo assim: o sujeito segue sentado na cadeira. O grande lance do fim do desktop eh justamente fazer o gordo se levantar da poltrona, bicho! Move on up!

  11. Ei, eu sou gordo! Melhor comprar um kinect… :p

  12. Não, bicho, tu tah em outra categoria, a dos SEMIgordos. Essa ainda tem cura, ahahahahah