Homem-granada

A hora e a vez do sujeito da motosserra assassina.

Figurinha 2: Rodrigo Guedes

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Nome:Rodrigo Guedes
Ocupação: Pai e namorado
Data de nascimento: 24/07/1972
Você lembra da primeira vez em que ouviu falar sobre música independente?
Provavelmente na época em que o Jesus and Mary Chain e o Hüsker Dü estavam lançando seus discos em 86 no Brasil. Foi nessa época que o sentido de música independente começou a surgir. Isso porque antes já ouvia punk rock nacional mas não se falava sobre mercado independente como uma nova forma de fazer e vender música.

Quando foi que você percebeu que tinha algo diferente que parecia promissor neste mercado?
Primeiro quando resolvi fazer música barulhenta, cantando em inglês e descobri por acaso que não estava sozinho. Em vários lugares diferentes pessoas estavam fazendo algo semelhante ao mesmo tempo. Foi incrível quando esse círculo de interesses começou a migrar para lugar comum.

Qual o melhor show de banda indie brasileira que você já assistiu?
Pin Ups na época do Scrabby no Retrô. Formação clássica com Luiz, Zé, Marquinhos e Alê. Eles quebrando tudo e as pesssoas com aquela sensação de que aquilo acontecia ao mesmo tempo no mundo todo. Não era um reflexo atrasado mas uma coisa atual, moderno e principalmente nosso.

Qual o melhor festival independente que você já foi?
Juntatribo. Não pela estrutura e organização, mas pelo momento, a novidade. Era incrível a sensação de pertencer a algo tão importante. A gente sabia que era um momento importante para fincar bandeiras e isso acabou se comprovando anos depois quando a gente escuta que o Juntatribo foi um marco para a construção da cena – hoje dá pra dizer cena – independente nacional. Na real, para as bandas, foram três dias de absurda loucura, psicodelia e rock sujo.

Qual o melhor disco/fita/CD independente brasileiro de todos os tempos?
Killing Chainsaw, o vinil pela Zoid. Fita: Qualquer coisa do Feedback Club. Eles eram incríveis.

O que você fez neste mercado que lhe deixou particularmente satisfeito e orgulhoso?
Continuar nele pra sempre. Acho que a idéia de pertencer, enfrentar as dificuldades e aceitar as limitações de ser um músico independente no Brasil, abre as portas para a verdade de que você pode fazer exatamente a música que sair da sua cabeça, sem nenhuma interferência. Isso não quer dizer que o independente não pensa em progredir, ganhar mais dinheiro e viver de música, mas com certeza ele vai ter muito mais espaço para criar sem se importar com todo apelo coorporativo e burocrático da grande indústria. Eu aprendi essa lição muito cedo e não tenho nenhum arrependimento de ter optado por esse caminho. É incrível a sensação de fazer parte de algo tão importante.

Conselho pra quem tá começando
Faça!

Site e como as pessoas podem te encontrar.
www.grenade.com.br grenade@grenade.com.br

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1 Resultado

  1. Marcus Marçal disse:

    bacana, gostei do que o rodrigo falou, ainda mais sendo um cara que se amarra em guitarras barulhentas sem que estas precisassem ser encaixadas neste ou naquele gênero. por falar nisso, pergunta aí pra ele se ele topa fazer uma coda de barulho que pode ser chamada Julho 1972. Afinal, viemos para o mundo quase que na mesma remessa. abraço