Garotas Suecas: Identidade

E é com imenso prazer que anuncio a primeira temporada no Centro da Terra a cargo de uma banda, quando o grupo paulistano Garotas Suecas atravessa as terças-feiras de junho com quatro shows diferentes. Na primeira terça, dia 5, batizada de Karaokê, o grupo convidou vocalistas amigos para cantar músicas de seu repertório – são nomes como Rafael Castro, Betina, Luiz Thunderbird, Nasi, Luiza Lian, Teago do Maglore, Herman da Mel Azul, entre outros. Na segunda, no dia dos namorados, eles partem para um repertório romântico na noite batizada de Valentinos. Na terceira terça, dia 19, eles voltam para a garagem tocando o material dos primeiros EPs da banda. E, finalmente, no dia 26, fazem uma noite chamada Sexteto, incluindo os ex-integrantes da banda, Sal e Sessa. Conversei com os quatro Garotas – Irina Bertolucci, os irmãos Nico e Tomaz Paoliello e Fernando Perdido – sobre o mês que encaraão no Centro da Terra a partir da próxima semana (mais informações aqui).

Irina, Nico, Tomaz e Perdido

Irina, Nico, Tomaz e Perdido

Como vocês bolaram as quatro noites que irão fazer no Centro da Terra?
Irina: A temporada nos colocou o desafio de pensar onde estamos hoje e como chegamos até aqui. Por isso o nome Identidade: foi uma busca tanto pelas nossas raízes quando pelas nossas ramificações sonoras. O que fez o Garotas Suecas chegar em 2018 do jeito que chegamos.
Começamos por homenagear as pessoas que cruzamos pelo caminho ao longo desses 13 anos de shows, desde inferninhos passando por casas históricas de shows, festivais, televisão… Passamos pode esses lugares acompanhados de bandas “irmãs”, ídolos e parceiros. Pra toda essa gente linda que faz a cena da música alternativa brasileira acontecer, bolamos a noite Karaokê na qual nove cantores cantam GS com a gente.
A segunda noite caiu no dia dos namorados, e, românticos que somos, não conseguimos fugir do clima mela-cueca nesse show: os clássicos melados do cancioneiro sueco foram combinados com as serenatas dos nossos ídolos que entraram no nosso repertório em alguma parte do caminho. Valentinos vai ser só love, pra levar o mozão.
A terceira noite vai ser uma diversão total: De volta pra Garagem. O repertório desse show é baseado nos primeiros três anos da banda, quando foram lançados nossos três primeiros EPs. Nessa época circulávamos pelos cafofos de SP, fomos pra NY com a roupa do corpo, dormimos muito no chão… Como ainda estávamos engatinhando, além do repertório autoral da banda, tocávamos alguns covers podrêra dos nossos ídolos garageiros e/ou brasileiros, que também serão tocados! Essa noite é pros nossos fãs de longa data que pedem nossas músicas mais antigas e a gente nunca sabe tocar! Dia 19 vai rolar tudo isso!
A última noite vai ser histórica. Sexteto vai ser isso mesmo que você está pensando. Chamamos nossos amados ex-guitarrista e ex-vocalista, Sessa e Guilherme Sal a compartilharem uma noite cheia de emoção com a gente. O Sessa saiu da banda para terminar a faculdade em NY, em 2011. Hoje toca com Yonatan Gat e também está lançando um disco solo logo mais. O Sal saiu da banda em 2014, pois estava buscando outros caminhos profissionais. Nesse show vamos tocar músicas deles dos nossos dois primeiros LPs, dos EPs, e o que mais a gente quiser.

Como será a primeira noite e quem vocês convidaram para participar?
Irina:
Chamamos várias pessoas com quem dividimos algum tipo de história para escolher uma música nossa pra cantar. Teremos a Betina, cantora paranaense que está com um discão lindo no forno, o Fernando Soares, vocalista da banda 2de1, o Dr Herman, vocalista e tocador de keytar no Mel Azul, nossa banda irmã de selo e de vida, o Thunder quem já demos inúmeras entrevistas e com quem já dividimos palco também! Vai ter também a Luiza Liam, que cantou com a gente como backing vocal no nosso primeiro disco – saudades, Côro das Cabrocha Linda! – antes de seguir sua maravilhosa carreira solo, o Nasi, que gravou uma música nossa para a abertura de seu programa de TV – ah, ele também é do Ira! Não tamo de brincadeira, não, o Rafael Gregório, vocalista da banda Circo Motel, o plural e agitador cultural Rafael Castro, e o maravilhoso e ídolo Teago, da banda Maglore. A gente também vai cantar músicas que tem normalmente outro vocalista principal. E se o público quiser cantar também vai poder! Por que Karaokê sem bagunça não é Karaokê.

Como será a segunda terça-feira?
Tomaz:
A segunda terça-feira coincide com o Dia dos Namorados e para esse dia pensamos um setlist especial para os casais apaixonados e para os solteiros em busca de aventuras, ou para os casais em busca de aventuras e os solteiros apaixonados. Preparamos um repertório só com as músicas mais românticas do Garotas Suecas em arranjos especiais, e mais algumas versões românticas de músicas nacionais e internacionais que tocamos ao longo da nossa carreira. O figurino e o cenário também foram pensados especialmente para o clima de romance.

A terceira terça-feira pode ser uma surpresa para os novos fãs.
Perdido:
Tomara que seja uma boa surpresa! Acho que como passamos por diferentes fases ao longo dos anos, nossa origem pode ser desconhecida para alguns. A idéia é apresentar esse pedaço da nossa identidade, o que nos moldou para o que somos.

E como será a quarta noite?
Nico:
A quarta noite da temporada terá Garotas Suecas em sua formação original. Convidamos Guilherme Saldanha e Sesa para o palco e nos tornaremos por uma noite, um sexteto novamente. Tocaremos músicas do começo da banda e focaremos nas composições que ambos escreveram enquanto eles estiveram na banda. Mas bem provável de termos surpresas ainda nesse repertório.

Visitar diferentes fases da banda teve um efeito terapêutico para a banda?
Perdido:
Acho que somente os shows dirão isso, os ensaios podem dar uma idéia do que será, mas somente na hora “H” que todos os sentimentos afloram, especialmente se estiver sendo terapêutico para a plateia também, essa troca em si, independente da temporada já é uma terapia pra nós.

Alguma noite a mais foi imaginada e ficou de fora?
Tomaz:
Pensamos em diversas ideias de shows, mas algumas seriam muito difíceis de realizar. Por exemplo, tivemos a ideia de fazer um show em que nós tocássemos apenas outros instrumentos diferentes dos nossos de origem. Então eu tocaria ou bateria, ou baixo, ou piano ao longo de todo o show. Mas honestamente, ou ficaria muito ruim ou precisaria de meses para ficar ok. Na verdade era uma ideia péssima mas que entrou na lista inicial… Outro show muito louco seria chamar quatro músicos, cada um para os instrumentos que nós tocamos, que cada um de nós fosse fã, para ensaiar e tocar nossas músicas. E a gente ficaria na platéia. Não conseguimos nem chegar a cogitar os nomes de tão despropositada que foi a ideia.

O fato dos shows serem num teatro muda a dinâmica das apresentações?
Nico:
Muda sim. Em cada palco que tocamos pensamos em uma dinâmica diferente. Seja ele em um festival, inferninho, balada, show ao ar livre etc… Como esses shows serão em um teatro sentado e com um clima mais intimista teremos achar um equilíbrio entre músicas mais agitadas e baladas. Em um show como esse, o público está muito atento aos detalhes sonoros, corporais e cenográficos. A iluminação também é essencial para vestir o espetáculo e colocar todos no mesmo clima para a apresentação.

Rever diferentes fases da banda ajuda vocês a perceberem o próprio amadurecimento? Vocês conversaram sobre isso durante a elaboração da temporada?
Tomaz:
Sim, essa ideia de retomar algumas fases da nossa carreira veio exatamente como uma celebração disso. Há pouco tempo completamos dez anos de banda e não fizemos nenhum show comemorativo porque estávamos num processo de lançamento de disco novo e não faria sentido pra gente naquele momento. A temporada foi uma oportunidade de fazer isso agora, com algum atraso. A diferença entre o nosso material mais antigo e o atual é gritante! As músicas antigas são muito mais precárias, mas tem muita coisa lá que conseguimos perceber que nos acompanha até hoje. E tem, é claro, o frescor e o charme daquele momento. Essa experiência é legal demais para percebermos o que mudou e o que ficou. É muito engraçado durante os ensaios quando não conseguimos tocar ou cantar algumas coisas que fizemos há dez anos, dá uma raivinha do seu eu do passado.

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