Fábio L. (1963-2009)

Lariú acabou de forwardear o seguinte email do Francisco Kraus, ex-baixista do Second Come, sobre a morte de um dos fundadores da banda que, no Rio de Janeiro, ajudou essa tal “cena indie” que hoje habitamos a começar a andar. No assunto do email, o título da música que abre o disco-chave da banda, You, “I Feel Like I Don’t Know What I’m Doing”:

Estranho isso, mas neste momento, realmente não sei o que faço.

Acabei de receber uma notícia extremamente triste e a única frase que me veio foi o nome desta música.

Hoje, lá pelas três da tarde, faleceu o Fábio Leopoldino. Fábio L., como na época do Second.
Segundo informações de um amigo comum, que foi avisado pela mãe do Fábio, ele teve um infarto e não chegou sequer a receber socorro. Apenas pediu a mãe que ficasse com ele. Poético, como foram suas composições.

Durante alguns anos, após o final do Second Come, fiquei sem falar com ele.
Vários foram os “motivos” que me levaram a acreditar que eu estava certo.
E vários foram os motivos que me levaram a acreditar, depois, que estava errado.
Quando voltamos a conversar foi ótimo. E libertador.

Mas agora não valem mais as palavras.

Apenas peço que os que o conheciam, pessoalmente ou por suas músicas, desenhos, contos, etc. lembrem dele agora de uma forma boa, com aquele pensamento bom que poucas vezes temos na vida. E que essa luz o ajude nesta passagem.


F. Kraus

Era uma época em que bandas covers que tocavam fantasiadas como os artistas que imitavam eram levadas a sério e quando o rock dos anos 80 começou a dar sinais de velhice precoce. Passada a lambada, três gêneros que dominariam os anos 90 (pagode, axé e sertanejo) começavam a por as manguinhas de fora e fagocitar todo o espaço conquistado pela música pop da década anterior. A MPB já se autocelebrava e a MTV Brasil ainda estava tateando rumo ao rock alternativo quando o Second Come existia. Era a versão carioca de um movimento que, em São Paulo, era encabeçado pelo Pin Ups, Killing Chainsaw e Mickey Junkies, mas que aos poucos encontraria eco em todo o Brasil. Cantando em inglês quase como provocação (depois de um tempo, o gênero tornaria-se bilíngüe), essas bandas abriram, na marra, o caminho que depois foi pavimentado pela geração Raimundos, Pato Fu, Chico Science & Nação Zumbi, Skank, Planet Hemp e Graforréia Xilarmônica, e plantaram a semente deste mesmo indie brasileiro que levou o Cansei de Ser Sexy ao estrelato no exterior, criou a Abrafin, alimenta a TramaVirtual e o MySpace Brasil e movimenta discussões sobre o futuro da indústria da música. Tudo era muito adolescente, impulsivo e intuitivo, mas nem por isso menos importante. Claro que não vai ter matéria no Jornal Hoje, nem um espaço maior do que uma notinha num caderno de cultura, embora pudesse render. Mas Fábio não estava preocupado com esse tipo de repercussão.

Pra quem quiser conhecer mais o trabalho dos caras, o Lariú está colocando toda discografia do grupo em MP3 na página deles do Midsummer Madness.


Second Come – “I Feel Like I Don’t Know What I’m Doing

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19 Resultados

  1. abonico disse:

    Muita tristza pela morte de nosso amigo. È o sgundo amigo do rock que perco nese mês de maio. E ainda estamos no di 11!

  2. Bezzi disse:

    Second Come foi um dos nomes mais importantes da cena alternativa brasileira. Deixou um legado e nunca será esquecido.

  3. Dodô Azevedo disse:

    Inacreditável. A ficha não vai cair.

  4. Puxa !! Nunca tive muito contato com o Fábio sempre tive mais com todos os outros (O Francisco, O Kadu, O Fernando Kamache que é como meu irmão) Lembro de tê-lo encontrado pela primeira vez ele no Eterno Grito o qual dividi o Palco no Robin Hood PUB eu na Bigtrep. Também lembro de um show no DCE da UFF onde já com o Second Come fizeram uma versão de “Sgt. Peppers” infelizmente aquele festival ou shows não iam ninguém e não existe registro conhecido acho que eles tocaam com a banda Squonks que tinha o Leandro, a Simne do Vale & o Yuri.Me entristece ver os nossos bons e talentosos artistas indo sem o devido reconhecimento em vida… Uma pena que ele descanse em paz.

  5. Muito triste… quinta-feira vou homenageá-lo, vou tocar várias do Second Come na Splashdown.

  6. Escrevi umas coisa no blog, o Bibikas disponibilizou uma raridade lá, veja.

  7. F. Nobre disse:

    é foda, mas vai chegando a hora, e vai ser assim…
    Do you realize
    that everyone
    you know
    someday
    will day

    é foda!

  8. SC me traz muitas boas lembranças daquele começo de anos 90.
    Coisas de indie velho mess.

  9. Rodrigo disse:

    Descanse em paz Fábio.

    Ótimas lembranças daquela época e dos shows do Second Come.

  10. Daniela Matera disse:

    Nem sei o que devo dizer, apenas sinto uma profunda dor….

  11. Strato disse:

    Que merda isso!
    O foda é que um monte de gente que falava mal do cara – pela frente e pelas costas – agora tá de luto.
    Meio estranho isso, não?
    Ainda bem que a música registrada sobrevive, enquanto suportes existirem.
    Vou andando pra casa ouvindo “Airhead” mentalmente…
    abs

  12. regis damasceno disse:

    Realmente uma pena para todos nós.
    Ouvi muito aquele disco preto de capa preta, achava sensacional e incrível por ser feito no Brasil. Sem dúvida foi um estímulo pra mim, como músico.
    Que descanse em paz, Fábio L.

  13. Raul Tadeu Faria (pai do Genú) disse:

    Resta-nos a saudade e o conforto por alguém, agora, estar escutando boa música.
    Descanse em paz, Fábio L

  14. João disse:

    Esse vídeo é de show que eles abriram pra Plebe Rude?

    Porque o telão que aparece atrás é de capa de disco da Plebe.

  15. Sandro Menezes disse:

    Caráio…eu vi quase todos os shows do Second no Rio. O primeiro que vi no Garage, em 92 eu acho, derreteu meu cérebro. Até hoje acho a melhor banda de rock brasileira depois dos Mutantes. Sou muito fã mesmo. Rest In Peace, véio.

  16. GUSTAVO LEOPOLDINO disse:

    OBRIGADOS A TODOS PELAS PALAVRAS DE APOIO

  1. 13/05/2009

    […] Eu ainda não me refiz do susto. Até porque continuam chegando várias manifestações de pessoas de todos os cantos. Isso é reconfortante e eu acho importante reproduzir aqui algumas delas: – Alexandre Matias para o Trabalho Sujo; […]