A estreia do E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante

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“É o começo de algo sólido. Nosso primeiro disco de fato. A idéia de Fundação vem desse conceito de erguer algo a partir de uma estrutura firme”, explica a banda paulistana E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante sobre o título de seu novo disco, Fundação, em entrevista por email. Formado por Lucas Theodoro (guitarra, synth e programações), Luccas Villela (baixo e guitarra), Luden Viana (guitarra e synth), e Rafael Jonke (bateria e MPD), o EATNMPTD está prestes a lançar seu novo álbum, no próximo dia 14, e antecipa tanto a capa (acima) quanto um curta sobre as gravações do disco (abaixo) em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“Não seguimos um conceito, as ideias foram propostas e construídas de forma natural durante nossos ensaios. São músicas em que todos exploramos mais os ritmos e novas sonoridades, até trocando de instrumentos, saindo de uma zona de conforto do que se espera de um quarteto de baixo, guitarras e bateria”, explicam coletivamente, sem dizer quem responde qual pergunta. O grupo existe há cinco anos e já lançou alguns EPs, mas desde o início de 2016 não lançou mais nada, adiando o lançamento de seu primeiro álbum por mais de dois anos. “Na maior parte desse tempo entre um lançamento e outro nós tivemos um grande período em que mais fizemos shows, rodamos por festivais e novas cidades no Brasil. E quando achamos que havia chegado a hora, nos concentramos em produzir novas músicas, experimentar e fazer algo novo. Ao mesmo tempo que o disco tem uma sonoridade diferente, é uma mudança natural considerando todo esse processo e tempo que tivemos acumulando e absorvendo novas inspirações.”

Lucas Theodoro, Luden Viana,  Rafael Jonke e  Luccas Villela (foto: Larissa Zaidan)

Lucas Theodoro, Luden Viana, Rafael Jonke e Luccas Villela (foto: Larissa Zaidan)

A espera valeu à pena. Fugindo do guarda-chuva genérico chamado pós-rock, a banda vai para além da sonoridade épica, esparsas e barulhenta que a fez ganhar fama no circuito independente brasileiro. “Só tivemos vontade de entregar uma nova proposta sonora. O pós-rock de uma certa forma ainda está la, é perceptível, mas quisemos sair da fórmula mais notória do estilo, formar algo que fale por nós, pela nossa vivência musical, e consequentemente isso veio naturalmente nas composições”, explicam. O resultado pode ser conferido nas duas músicas que o grupo já lançou, “Daiane” e “Como Aquilo Que Não Se Repete”.

“Fundação se deu por conta de um processo muito específico e novo para nós. Pela primeira vez tivemos a oportunidade de ensaiar mais regularmente em um espaço nosso. Ter todos nossos equipamentos sempre montados em uma mesma sala e não ter restrição de horário foi um privilégio muito grande e afetou diretamente esse processo. Foram seis meses criando em um ambiente que nos deixou mais livres para experimentar estruturas de música, testar novas formas de compor e incorporar momentos espontâneos que acabaram por virar músicas inteiras. No final das contas, esse processo todo influenciou o resultado final muito mais do que referências musicais pontuais”, continuam. O disco foi gravado em duas fases, a primeira num estúdio em Araraquara e o restante na casa do guitarrista Lucas Theodoro. A produção ficou a cargo de Gabriel Arbex. “A escolha desses lugares foi para preservar uma relação mais íntima com o processo. O Sunrise (em Araraquara) tem uma estrutura de casa mesmo. Nós dormimos lá todos os dias, cozinhamos, fizemos churrasco… É um processo bem imersivo estar em outra cidade. Em São Paulo no tempo em que ficamos no Theodoro também teve um clima diferente de poder parar pra fazer um café, sentar no quintal pra conversar, etc. Enfim, o processo foi todo um pouco mais leve e pessoal/humano nesse sentido.”

Além de novas sonoridades, os quatro testaram novos instrumentos. “Quase todos gravamos synth e o disco tem baterias eletrônicas, sequencer, congas, músicas com várias guitarras…”, prosseguem. “A participação mesmo foi a de Vini Rodrigues, de apenas 20 anos, que gravou saxofone em uma das faixas. O Arbex não chegou a tocar nenhum instrumento no disco, mas adicionou muitas camadas na hora da mixagem que abriram bastante o ambiente sonoro do disco.”

Há inclusive uma faixa com vocais (“Se a resposta gera dúvida, então não é a solução”, que também contém vocais do produtor e de Fernando Dotta, capo da gravadora do grupo, a Balaclava), mas seguem firmes como uma banda instrumental, o que está longe de ser uma questão para a banda. “Desde o começo sempre nos adaptamos muito bem nos ambientes pelos quais passamos, inclusive, sempre estivemos muito mais em meio a bandas não-instrumentais, o que foi positivo para o nosso desenvolvimento por não estarmos completamente atrelados a apenas um nicho. Hoje, cinco anos após o início da banda, seguimos com a mesma mentalidade, que é a que não segrega, e sim ajuda a somar na cena em que estamos inseridos. Além de tudo, é importante ter noção que temos muito privilégio por sermos uma banda que está localizada em São Paulo.”

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