Enquanto estive fora: News of the World

Essa história do News of the World, pelo visto, mal começou. O que era apenas um escândalo de jornalismo marrom invadindo privacidadesfechou um jornal centenário, derrubou executivos de diferentes redações, fez cair o segundo nome da Scotland Yard e o CEO da Dow Jones, rendeu um pedido de desculpas amarelado no fim de semana, bateu no FBI e agora temos o primeiro cadáver, do jornalista que começou a fazer as denúncias e os hackers do Lulz Sec já começaram a mexer nos sites de Murdoch, primeiro avisando que ele havia morrido. Vale conferir também a geral que o Telegraph fez nos arquivos do News of the World, apontando matérias que teriam saído de grampos telefônicos, para ver que todo mundo estava na mira do jornal: famílias de vítimas de crimes, jogadores de futebol, políticos, celebridades, a família real inglesa. Não duvide se o furdúncio de merda derrubar até o primeiro ministro inglês

Será que Rupert Murdoch cai? Não custa lembrar que foi a Fox News quem puxou toda a onda de neoconservadorismo que permitiu mutações canhestras da direita (como o Tea Party nos EUA e várias cocotas reaças de plantão espalhadas em sites, jornais e canais de TV pelo planeta)…

Vale – e muito – assistir ao depoimento de Nick Davies, jornalista do Guardian que encampou essa briga contra o magnata das comunicações a ponto de valer-lhe o apelido de “Capitão Ahab”, tamanha sua obsessão em caçar sua Moby Dick, que explica o que está acontecendo no vídeo abaixo:

Traduzo uns trechos:

“É sobre poder e sobre a forma que a elite do poder é acostumada a cuidar de si mesma. Eu acho que razoável para qualquer um perceber agora que a corporação de Murdoch tem muito poder. É claro pela forma que a polícia, a imprensa e alguns políticos automaticamente saem do caminho e dizem: ‘Não vamos causar problemas, eles podem nos machucar’. Eles já tinham muito poder antes disso tudo começar e acho que é muito improvável que seja do interesse de nossa sociedade como um todo dar ainda mais poder para essa organização”.

(…)

“Pra mim, isso não é uma história sobre jornalistas se comportando mal. É uma história sobre a elite do poder. É sobre a organização de notícias mais poderosa no mundo, sobre a polícia mais poderosa no país, sobre o partido mais poderoso no país e, em todo caso, sobre a Press Complaints Commission (órgão regulador da imprensa no Reino Unido). E sobre como todos eles espontaneamente se reuniram para tornar suas vidas mais fácil, como presumiram casualmente que a lei não valeria para eles e que era perfeitamente confortável mentir para o resto de nós, pois somos pessoas pequenas, não saberíamos que eles estavam fazendo isso. É isso que definitivamente me deixa com raiva, sobre essas presunções dessa elite do poder”

Isso está apenas começando…

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Sem Resultados

  1. YCK disse:

    There was someone watching the watchmen.

  1. 03/08/2011

    […] conta de como encontrou, por acaso, o editor Paul McMullen, – um dos primeiros ex-colaboradores do centenário tablóide que Rupert Murdoch fechou abruptamente a abrir o bico para o Guardian sobre as “técnicas de jornalismo” no país da rainha – […]