E essa entrevista com o Zero Quatro?

…e parece que o líder do Mundo Livre S/A tá com saudade das gravadoras. É isso?

“Percebo que, a despeito de toda a questão do acesso democrático e da maior visibilidade que chegaram com a internet, um fato inegável é que a web tem desestruturado quase todas as cadeias que se envolvem com a digitalização, do jornalismo à música. Hoje é moda celebrar a web, dizendo que finalmente nos livramos dos malas da indústria fonográfica. Tudo bem, a indústria até tinha um aspecto predatório, mas uma coisa é você defender a ausência da indústria, a ausência da cadeia produtiva. Se o mangue beat tivesse surgido num ambiente parecido com o que rola hoje, com gravadoras em crise, talvez o mangue beat tivesse se limitado a uma ou duas comunidades de Orkut, uma coisa de gueto. (No início dos anos 90) A Sony foi a Recife, contratou o Chico Science e bancou o primeiro clipe da banda, que rodou direto na MTV. Finalmente a indústria olhava para nós. E teve um efeito multiplicador forte. As pessoas esquecem isso. Hoje há uma situação sem indústria, sem cadeia produtiva. Está se instalando uma religião da tecnologia, um fundamentalismo tecnológico. Fala-se muito em economia sustentável, mas na cultura não existe consumo sustentável.”

Será que não? Lembre-se que estamos em fase de transição… A íntegra da entrevista tá aqui e é fechada pra assinantes do UOL.

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23 Resultados

  1. bruno correia disse:

    quem não quer moleza?

  2. arlen disse:

    Eu também acho que ele está com saudades porém o que ele está dizendo tem muita verdade mesmo. E é uma coisa que pouca gente admitiria e não deixa de estar certo. A internet dá as ferramentas e pode funcionar muito bem mas muitas vezes precisa que seja bem planejada toda a estratégia para promover alguma coisa.

    Claro músicas ótimas que ninguém conhece colocadas no youtube por exemplo muitas vezes fazem sucesso praticamente sozinhas mas outras coisas precisariam de uma “maozinha” para que toda a idéia funcionasse.

  3. Bruno disse:

    E não tá sozinho, né? A Lily Allen começou um blogue só pra discutir isso. E tá rendendo por lá.

  4. dafne disse:

    ô matias, e cê soube se no show de sexta, dos 15 anos do “da lama ao caos”, o jorge du peixe e o fred 04 criticaram quem baixa música na internet? duas conhecidas de twitter me confirmaram a história. mas lá no site da rolling stone tinha isso, meio tucano: “Na sequência, Zero Quatro foi anunciado. Antes de começarem “Computadores Fazem Arte”, os músicos questionaram o uso desenfreado da máquina para tudo. “Tem o virtual, mas precisa do real e o real está aqui”, declarou o convidado.”
    eu heim.

  5. Ian. disse:

    o que existe é uma democracia, sim, e a necessidade das bandas serem boas de musica e relacionamento. pq é que bandas como nxzero e fresno ganharam o brasil, tocaram em lugares aonde o cachorro grande (com apoio de gravadora e mtv) não conseguia, basicamente soltando músicas na internet e se relacionando bem com os fãs, e isso em época pré twitter, só com ‘uma ou duas comunidades no orkut’.

  6. Acho que o caso é de “tentativa e erro” mesmo. Por algum motivo o Mundo Livre se viu solto no mercado e resolveu se bancar sozinho. E percebeu que o resultado de uma tecnologia que facilita demais a geração e publicação de conteúdo, também serve para diluir essa quantidade de informação a ponto de não se aprofundar nas mesmas. Não vejo nada de errado nisto, é lógico que Zero Quatro quer destaque de novo, e a única forma de isso acontecer é passando a integrar um catálogo de gravadora, numericamente seleto e que lhe proporcione uma maior publicidade e tempo na mídia. E a propósito, isso seria ótimo.

  7. Nilson disse:

    A ”veia” artística – se é que podemos considerar isso na cultura pop, cuja ascenção refletexo a decadência da arte dos outros seculos… – pressupõe, sempre, desigualdades entre medíocres entusiastas e verdadeiros artistas, ”críticos” e ”público”. Acho que o Fred percebeu isso. Sente falta dos ”padrinhos”, do incentivo daqueles que de fato sustentam a continuidade das criações artísticas, os especuladores, empresários… Eles acabam decidindo as tendências, as chances e oportunidades de um movimento, artista… Isso pode desembocar no desinteresse geral do público que segue cada vez mais incapaz de entender o picareta Lars von Trier – vi de perto a excelência que atribuiram os belo-horizontinos ao Antricristo num festival: incompreensão e autoridade criaram o elogio burro; ou admirar a síntese da cultura pop que foi o último of Montreal… Um sintoma. A cultura pop depende(u) desses ”seletores”.
    Não acho que vivemos numa época de transição. Só se for da chamada cultura pop para outra coisa…
    Tá certo que a economia quase absorveu todas as tentativas de ”criar arte”, e tende a transformar a coisa em indústria(como a falida musical, de um modelo capitalista ultrapassado) ou programa político(não vejo outra coisa senão ”artes oficiais” – acerca do crescente interesse dos governos democráticos pelo cinema, p. ex.: filmes das minorias, contra homofobia, etc. Dá emprego e alivia a barra do Estado: acaba educando os novos cinéfilos segundo os limites da sociedade), agora, tenho observado: igualar as distâncias entre ”artistas” e ”não-artistas”, na maioria das épocas(exceção feita à antiguidade grega, cuja arte era ”coletiva”), sufocou a arte. E, por insignificante que seja em nossos tempos, quem sabe se daqui a pouco nem entretenimento ela representará. As ”desigualdades” de todos os gêneros sustentaram todas as artes. Com a absoluta igualdade, quem sabe, as pessoas poderão perder o interesse pelas manifestações de seus pares. Será, quem sabe, o fim da cultura pop. Depois dela, o que virá? Pode ter ocorrido isso ao Fred 04…

    Desculpa pela exposição… são, apenas, teorias.

  8. Acho que o Zero Quatro poderia lembrar que a mesma indústria que foi pegar o Chico Science lá no início também mandou o Nação Zumbi embora depois que ele morreu – porque eles não tinham mais um frontman tão vendável quanto antes, vendiam só 50 mil cópias do disco deles e aí não interessava mais.

    No duro, a gente pode olhar o relato dele por outro ângulo: naquela época, pra algo como o mangue-bit ficar visível, era preciso que uma Sony chegasse lá e bancasse um clipe. Caso contrário, eles não iam ter nem comunidade no Orkut para se agarrar. Será que não tivemos outros mangue-bits espalhados por outras partes do país, mas que nunca tiveram clipe bancado e por isso nunca “viram a luz do dia”?

    O fato é que as coisas ficaram mais dispersas. Realmente, pra quem já foi “grande” um dia, o mundo novo deve parecer mais complicado agora.

  9. Bruno disse:

    dafne, não foi a primeira vez que a Nação Zumbi critica a internet durante um show:

    http://www.oesquema.com.br/urbe/2008/11/07/sabao.htm

  10. Nilson disse:

    *ascensão…
    **Anticristo…

  11. Raul disse:

    Viagens a parte (tipo ter saudade da industria só por que ela te ajudava)

    A música independente ainda tem MUITA dificuldade de se estabelecer como algo sustentável, principalmente, e gostaria de enfatizar muito isso, sem se escorar na grande industria cultural de alguma forma.

    Independente MESMO, ainda tá difícil de se fazer algo sustentável. E falo isso como alguém que vem tentando há algum tempo…

    De qualquer, não me parece que a Sony vai resolver o problema.

  12. mafra disse:

    ai ai ai.

    pois então, segunda-feira, aqui em florianópolis, aconteceu um bate-papo com alguns artistas e produtores engajados no mpb (movimento/fórum música para baixar) e a fala de fred zeroquatro, que não é exatamente de agora, foi um dos tópicos. penso que seu discurso, assim como o de algumas pessoas que defendem o fim das gravadoras, tem mais a ver com não estar informado sobre o cenário pop do brasil de hoje — ou sobre o que podemos construir através de novas iniciativas (como o mpb), que com o fato de se ter um opinião formada sobre o assunto.

    acredito que com o tempo, e com as devidas informações, pessoas como zeroquatro possam flexibilizar seus juízos (que assim como o cenário atual, ainda está (ou deveria) em construção).

    afinal de contas, matias, acredito que mesmo que se digam muitas besteiras em certos meios, é possível, através desses desacertos, se construir propostas consistentes…

    abraço.

  13. Strato disse:

    Putz, reposto o comment aqui, pois antes postei o comment no post errado!
    ahhahahah
    Mal aí, acabei de acordar…
    abs

    PUTA MERDA!
    Comparar Nação Zumbi 1993-1994 com NXZero 2007 é uma demonstração atroz de IGNORÂNCIA/DESCONHECIMENTO do objeto comentado.

    Embora ambas as bandas tenham “acontecido” chanceladas pelo próprio mercado, existe uma diferença atroz entre as duas bandas.

    A Nação representava a mulambice (no bom sentido, é claro) da música popular brasileira. É a escória “insignificante” que pôs o pé na porta e abriu passagem na marra, embora alavancada pelo mercado. Agora, o “hardcore” boy-band que NX Zero e outras bandas pop mainstream representam na atualidad são outra categoria de manifestação cultural. Essas bandas surgiram em um cenário classe média alta, inicialmente para consumo desta mesma classe média alta, diferentemente da Nação Zumbi das antigas, que emergiu do underground (da lama) aos poucos – as primeiras matérias sobre a cena mangue chegam ao eixo Rio-SP em 1988-1989.

    Ou seja, essas “hardcore” boy-bands só existem mesmo e são “ovacionadas” para legitimar os mecanismos caducos do próprio mercado. Entonces, não dá mesmo pra comparar alhos com bugalhos, só mesmo sendo míope ou ignorante do cenário musical como um todo.

    Quanto à “polêmica”, gerada pelo cu na mão dos velhos mulambos em relaçao às ferramentas repressoras exaltadas pelo próprio mercado, isso é papo para outra categoria de discussão…

    Agora não dá pra esperar que esses caras que representaram o “novo” em 93-94 continuem com postura de novidade 15 anos depois. Hj em dia, suas posturas são de debutantes, que não estão nem aí e só querem partir pra putaria turbinada pelos peitinhos proeminentes que não dá mais pra esconder e pela questão hormonal. Daqui a pouco viram donas de casa, serenas como sambistas da velha guarda lidam com suas próprias eventuais projeções midiáticas.

    O Alvinho até ironizou a postura do Frederico lá na coluna dele na Folha jovem. Vcs leram?

    Enfim, o Ian mandou malzaço ao comparar uma coisa bacana e digna de exaltação como a Nação Zumbi early nineties com o hardcore boy-band enquanto pop mainstream do cenário pós-meados dos 2000. É quase como querer igualar o carisma de um Pedro de Lara com uma Sônia Lima.

    E não dá pra ser boboca a essa altura do championship… Mesmo se o bloguinho pop do Ian (aquelas coisices de quem consume e coleciona bugingangas pop) seja iluminado vez ou outra pela mídia, como qualquer bocó que se acha celebridad só pq ganha visibilidade eventualíssima no big brother orwelliano vigente pautado pelos ditames do mercado, isso ainda representa a velha estrutura que deve ser derrubada para o surgimento de uma nova ordem cultural…

    E MEU NOME É ENÉAS!
    abs

  14. Anderson Gomes disse:

    Zero 4 tem razão em muitos dos comentários que ele fez, porém ele está sendo radical demais.

    Em alguns momentos ele se equivocou com o seu radicalismo, defendendo que é ruim e ponto-final.

    A citação “A atração do YouTube é arte, cultura, informação. A receita deles vem disso – e não é pequena – e a produção é zero, é mera tecnologia. Nesse altar todas as cadeias produtivas não valem nada.” foi no mínimo um tanto exagerada. Realmente a produção é baixa, mas não valer nada já se tornou radicalismo, uma forma extremista de defender um ponto de vista sem se abrir a refletir melhor.

    Vamos abrir a mente para outras opiniões Zero 4, eu lhe apoio em muito do que você disse, mas existe lado positivo e existe lado negativo, você também precisa aprender escutar.

    O ideal é algo como poder baixar um demo, nisso eu concordo plenamente com você.

    “Quem quer baixar de graça, baixa, quem quer pagar pouco, paga, quem quer pagar muito, paga.”

    Pronto aí está uma ótima idéia, mas bem se uma banda quer distribuir gratuitamente todas as suas músicas, que disitribua. Cada um tem que ter sua liberdade.

    Mas o que você falou em “favorece determinados tipos de artistas: aqueles que estão muito no início da carreira, e aqueles absolutamente medíocres, que não têm a menor chance de ser descobertos por gravadora, produtor, etc. Para eles, o fim da indústria é muito festejado porque representa o nivelamente por baixo, favorece a mediocridade.” novamente é um exagero, um radicalismo que lhe cega em certos momentos. Algumas bandas que não são nem um pouco medíocres, mas pelo contrário, possuem um ótimo som e também não estão em início de carreira disponibilizam suas músicas para download e ganham dinheiro de outras formas, como em show, que atualmente é a principal fonte de renda para muitos músicos.

    Mas o fim da indústria com certeza deve estar fora de cogitação.

  15. joão higino filho o verdadeiro criador e idealizador do mangue beat eu acho que eles tem saudades de mim que criei tudo

  16. essa coisa da gravadora se afastar das bandas os motivos podem ser por causa das grandes quantidades de músicas que não são as vezes de quem canta más é de um compositor desconhecido que sempre correm atrás das gravadoras que gravam sem saber de quem é o altor das músicas e eleas as gravadoras podem ser processadas de valores altos demais até que o verdadeiro compositor aparaça eleas ficam sem saber o que fazer se gravam pra depois serem processadas ou não gravam pra ficarem limpas

    • Pupilo disse:

      cusão filha da puta esse joão higino filho da puta quer ganhar dinheiro facil vai trabalhar corno psicopata, para de falar merda

  17. ANARC disse:

    ^ FUMOU ORÉGANO, IDIOTAF FASCISTA???

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