Daft Punk: Random Access Memories faixa a faixa

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Seguimos à espera do disco novo do Daft Punk, com um pingo de esperança que “Get Lucky” seja mais épica em sua versão do álbum e com um tanto de desconfiança que toda a chegada da nova faixa seja um bem arquitetado viral. Isso não diminui a expectativa em relação ao disco novo – muito pelo contrário. E o que dizer quando surge uma entrevista dada à seção Obsession, do Le Nouvel Observateur (em francês, mas devidamente traduzida para o inglês pelo site Sodwee, abaixo) em que a dupla descreve faixa a faixa todo o novo e ainda não vazado Random Access Memories? Manipulando seu próprio tempo, o Daft Punk consegue nos levar de volta àquela época em que a música demorava para atravessar fronteiras e suas descrições e impacto chegavam antes, na forma de palavras. Leia a descrição das faixas abaixo – citando as participações de Giorgio Moroder, Chilly Gonzalez, Panda Bear e Juliana Casablancas – e veja se não dá ainda mais vontade de ouvir o disco – e se alguém se dispor a traduzir para o português, eu publico aqui.

“Give Life Back to Music”
“One of the goals of this album is to bring something light and elegant to the table. In ‘Give Life Back to Music’ John Robinson Jr plays the drums. He was on ‘Off The Wall’, the master-piece by Michael Jackson. What is fantastic in a performance like his, it’s the infinite possibilities of the nuances, impossible to recreate with an electronic approach. All the Quicy Jones produced hits or albums always fascinated us in the precision of the production only reached by humans. It’s the difference between ‘Thriller’ and ‘Bad’. In the latter, the tracks are brilliant, but performances have less of an aura. Less character.”

“The Game of Love”
“We sing with vocoders. In an era where human voices are treated to become robotic. We find exciting the fact that you can go the opposite and and give a robotic voice the most human voice possible. The idea of an artificial intelligence that would ressemble the human one. An emotion of something that is not human, but tries hard to be.”

“Giorgio by Moroder”
“We met him a few years back, he was always an mythical legend for us, a bit mysterious. His personal life path follows the music. The idea behind the track was to make a sort of documentary based on an interview we did with him. Giorgio Moroder’s voice was recorded with different microphones from different periods. We finally ended with over three hours worth of interview material in which he recalls his life as a musician. This track is a great metaphore on musical freedom. We always push ourselves to break boundaries between musical genres, between good and bad taste, hype and non-hype. Giorgio is a model in that field. It’s fascinating hearing him say at the tender age of 72 “Oh, I was doing electronic music over forty years ago,”

“Within”
“Gonzales plays piano on this track. It’s a friend of ours, and a great musician, one of the best of his generation actually. ‘Within’ is one of the very tracks we recorded. It’s very minimal, a little rhytmic section, a bass and a piano. Create the essential track with a little instruments as possible, that’s the idea behind the this track.”

“Instant Crush”
“Julian Casablancas from the Strokes is on the vocals. We’re both super fans of the band, and we go to hear he wanted to meet us. We had a demo lying, he came, he got to hear it and was enthusiastic about it. He’s got a gift. We, at first, we love rock and the whole concept of a rock band. However so many powerful stuff in the past that a new voice would have been hard to cut through. Recently the Strokes and MGMT – with a different approach – achieved that. Julian has this punk rock attitude, an emotional side to his melodies. It was important for us to have him on this album, to be pushed by our contemporaries.”

“Lose Yourself to Dance”
“This track is the simplest definition of our desire. A very detailed album in the production, but very simple at the same time. Focused on bass, drums and guitar, and of course robots. It’s the opposite of an over-produced album. Our fantasy, was to comeback to dance music with a drumkit. To record it this way was very satisfying. We’re so proud it’s a real drummer behind a drumkit and not some beat box. There’s two drummers on the album, John Robinson Jr, who holds the record for most recorded drummer in the world and Omar Hakim, who started drumming at the age of 16 with no other than Stevie Wonder…”

“Touch”
“This track is the crux of the album. It’s the starting point for the whole album. It’s us meeting Paul Williams [composer of film music, including “Phantom of the Paradise” and actor]. A sound engineer that we know presented him to us. He visited us in the studio. From there, something very cinamatographic, very narrative came out. ‘Touch’ would best define the psychedelic side of ‘Random Access Memories’. This song has 250 different tracks. It’s the most complex, the craziest of the album.”

“Get Lucky”
“Pharrell Williams sings on this tune, it was only natural to invite him on the album. It’s a born entertainer, complete, who transpires elegance. He didn’t always have the chance to show off his singing skills, and boy he can sing. We wanted to give the impression of being trapped in a glass bubble, completely isolated from the outside world. We could of been in 1978, but the idea was to get the music to travel the present time and also the future. See what happens and observe how this enthusiasm communicates with people.”

“Beyond”
“Another track made with Paul Williams who wrote the lyrics. It’s an hyper-cosmic song with some of the purest, poetic lyrics. We chatted a lot with Paul Williams of the direction we should take for the album, it was interesting to hear that he could pen our ideas for real.”

“Motherboard”
“A very futuristic track, it could have been from year 4000…”

“Fragments of Time”
“Our comeback track with house producer Todd Edwards since ‘Discovery’.”

“Doin ‘it Right”
“The angelic voice is by Panda Bear (from the Animal Collective group). We absolutely love the solo work he’s done, as well as the band approach to their music. This track – the only fully electronic one of the album – was the last one recorded. It feels so relaxed. Maybe our most futuristic effort and our most contemporary track.”

“Contact”
“A track produced with DJ Falcon, and a voice recorded on the last Apollo mission – number 17 – from Nasa. The voice from Captain Eugene Cernan, the last man to have walked the moon. It’s a voice that literally comes from space. And what it says, needs no comment…”

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10 Resultados

  1. Matheus Mlot disse:

    DETALHE PRA MÚSICA COM 250 TRACKS.

  2. Sodwee disse:

    Muito obrigado !

  3. Matias, fiz uma tradução do texto. Para qual e-mail eu posso enviá-lo?

  4. Aqui está, então. Peço desculpas pelo atraso e pelos possíveis erros.

    “Give Life Back to Music”
    Um dos objetivos desse álbum é apresentar algo leve e elegante. Em “Give Life Back to Music”, John Robinson Jr. toca bateria. Ele estava no “Off the Wall”, a obra prima de Michael Jackson. O que é fantástico numa perfomance como a dele são as infinitas possibilidades de nuances, impossíveis de recriar com uma abordagem eletrônica. Todos os hits ou álbuns produzidos por Quincy Jones sempre nos fascinaram na precisão da produção, só alcançável por humanos. É a diferença entre “Thriller” e “Bad”. No segundo, as faixas são brilhantes, mas as perfomances tem menos aura. Menos personagem.

    “The Game of Love”
    Nós cantamos com vocoders. Em uma era onde vozes humanas são tratadas para ficar robóticas. Nós achamos empolgante o fato de que você pode fazer o oposto e dar à uma voz robótica a voz mais humana possível. A ideia de uma inteligência artificial que iria assemelhar-se à humana. A emoção de alguma coisa que não é humana, mas tenta muito ser.

    “Giorgio by Moroder”
    Nos encontramos alguns anos atrás. Ele [Giorgio Moroder] sempre foi uma lenda mítica para nós, um tanto misterioso. Sua vida segue a música. A ideia por trás da faixa era fazer um tipo de documentário baseado em uma entrevista que fizemos com ele. Sua voz foi gravada com diferentes microfones de diferentes períodos. Nós terminamos com mais de três horas de material aproveitável da entrevista onde ele relembra sua vida como músico. Essa faixa é uma ótima metáfora sobre liberdade musical. Ele sempre nos forçou a quebrar limites entre gêneros musicais, entre gosto bom e ruim, hype e não-hype. Giorgio é um modelo nesse campo. É fascinante ouvi-lo dizer, na terna idade de 72 anos: “Ah, eu estava fazendo música eletrônica quarenta anos atrás”.

    “Within”
    [Chilly] Gonzalez toca piano nessa faixa. É um amigo nosso, e um ótimo músico. Um dos melhores de sua geração, na verdade. “Within” é uma das músicas que nós próprios gravamos. É bastante minimalista, uma pequena seção rítmica, um baixo e um piano. Criar a faixa essencial com o menor número de instrumentos possíveis, essa é a ideia por trás dessa música.

    “Instant Crush”
    Julian Casablancas, dos Strokes, está nos vocais. Nós somos ambos super fãs da banda, e nós ficamos sabendo que ele queria nos conhecer. Nós tínhamos uma demo sobrando, ele veio, ouviu-a e ficou entusiasmado. Ele tem um dom. Nós, em primeiro lugar, amamos rock e todo o conceito de uma banda de rock. Porém, há tantas coisas poderosas no passado que teria sido difícil inovar. Recentemente, os Strokes e o MGMT – com uma abordagem diferente – alcançaram isso. Julian tem essa atitude punk rock e um lado emocional para as suas melodias. Foi importante para nós ter ele nesse álbum, ser apoiado por um de nossos contemporâneos.

    “Lose Yourself to Dance”
    Essa faixa é a definição mais simples do nosso desejo. Um álbum bem detalhado na produção, mas muito simples ao mesmo tempo. Focado em baixo, bateria, guitarra, e, claro, robôs. É o oposto de um álbum superproduzido. Nossa fantasia foi voltar à dance music com um kit de bateria. Gravar desse jeito foi muito satisfatório. Estamos tão orgulhosos de haver um baterista de verdade atrás de uma bateria, e não alguma batida. Há dois bateristas no álbum, John Robinson Jr., que tem o recorde de ser o mais gravado no mundo, e Omar Hakin, que começou a tocar aos 16 anos, com ninguém menos que Stevie Wonder…

    “Touch”
    Essa faixa é o ponto crucial do álbum. É a partida de todo o álbum. Somos nós encontrando Paul Williams [compositor de trilhas sonoras, incluindo “O Fantasma no Paraíso”, e ator]. Um engenheiro de som que nós conhecemos nos apresentou. Ele fez uma visita ao estúdio. Dali, algo muito cinematográfico, muito narrativo, surgiu. “Touch” seria a melhor definição do lado psicodélico de “Random Acess Memories”. Essa música tem 250 faixas diferentes. É a mais complexa, a mais maluca do álbum.

    “Get Lucky”
    Pharrell Williams canta nessa música. Foi natural convidá-lo para o álbum. Ele é um entertainer nato, completo, que transpira elegância. Ele nem sempre teve a oportunidade de mostrar suas habilidades para cantar. E ele pode, como pode. Nós queríamos causar a impressão de estar preso em uma bolha de vidro, completamente isolado do mundo externo. Poderíamos estar em 1978, mas a ideia era fazer a música viajar até o presente e também ao futuro. Veja o que acontece e observe como esse entusiasmo se comunica com as pessoas.

    “Beyond”
    Outra faixa feita com Paul Williams, que escreveu a letra. É uma canção hiper-cósmica com uma das mais puras, mais poéticas letras. Nós conversamos muito com Paul Williams sobre a direção que deveríamos tomar com o álbum, e foi interessante ouvir que ele poderia escrever nossas ideias.

    “Motherboard”
    Uma faixa muito futurística. Ela poderia ter sido feita no ano 4000…

    “Fragments of Time”
    Nosso reencontro com o produtor de house Todd Edwards, desde “Discovery”.

    “Doin ‘it Right”
    A voz angelical foi feita por Panda Bear (do grupo Animal Collective). Nós amamos o trabalho solo dele, assim como a abordagem da banda para sua música. Essa faixa – a única completamente eletrônica do álbum – foi a última a ser gravada. Ela é tão relaxada. Talvez o nosso esforço mais futurístico e a nossa faixa mais contemporânea.

    “Contact”
    Uma faixa produzida com o DJ Falcon, e uma voz gravada na última missão Apollo – a número 17 – da Nasa. A voz do capitão Eugene Cernan, o último homem a andar na lua. É uma voz que vem, literalmente, do espaço. E o que ela diz, dispensa comentários…

  1. 26/04/2013

    […] a entrevista que a dupla de robôs franceses deu à revista Obsession do Le Nouvel Observateur que comentei aqui noutro dia. No papo, os dois explicam cada uma das faixas do novo disco. Valeu, […]