Contagem regressiva para a sexta temporada de Mad Men

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Falta pouco mais de um mês para começar a sexta temporada de Mad Men e o Ramon está contando os dias de tanta fissura. Aproveitando pra transformar a maluquice em produção, ele está fazendo uma contagem regressiva lembrando dos melhores momentos da série (como o final da primeira temporada ou uma festinha bem específica na temporada mais recente). Óbvio que contém spoilers, é só uma maneira de fazer os fãs relembrarem os bons tempos da série e também de fazer os atrasados começarem a assistir este clássico moderno.

Não sou dos maiores fãs da série e não acho que ela pertença a um escalão específico da TV no século 21, elite frequentada por nomes como The Wire, a Life on Mars inglesa e Sopranos. Como Breaking Bad, a saga de Don Draper ainda não figura neste rol pois é uma obra em aberto e um final apenas regular pode comprometer completamente o todo de uma série (que o digam Lost, Fringe, A Sete Palmos e Battlestar Galactica). Por enquanto, a série segue sendo um exercício estético cinco estrelas, uma ousada narrativa num ritmo muito mais lento que a média atual e um crítico comentário aos costumes de uma época que, de alguma forma, reflete muito nosso presente – mas não é tão profunda pois é ancorada em um protagonista sem a complexidade de um Tony Soprano ou de um Walter White, que esbanja carisma e personalidade, mas cuja angústia e o sofrimento interior são quase nulos. Pode ser que Mad Men culmine justamente com a descoberta da importância emocional do próprio Don Draper, que não parece se importar com as vidas de seus familiares e colegas de trabalho. A última cena da temporada mais recente parece acenar neste sentido, com o protagonista finalmente cedendo as rédeas do controle absoluto e descobrindo o prazer de se envolver emocionalmente num gesto quase trivial, mundano.

Por isso, como Ramon, espero com esperança pela estréia da sexta temporada.

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  1. Fernando disse:

    Um protagonista “[…] sem a complexidade de um Tony Soprano ou de um Walter White, que esbanja carisma e personalidade, mas cuja angústia e o sofrimento interior são quase nulos.”

    Tem certeza que é Mad Men que você está assistindo?

  2. Samuel Mendes disse:

    Matias, gostei muito do comentário sobre o porque esta série, assim como Breaking Bad, ainda não podem ser consideradas Top. Realmente os finais em aberto, podem, na conclusão, prejudicar o status da série.

    Vamos acompanhar e torcer para que os produtores e roteiristas consigam manter o nível até o fim.

  3. Paul disse:

    Discordo apenas da inclusão de “A Sete Palmos” no rol de séries prejudicadas pelos finais.

    E dizer que o final de Lost foi “apenas regular” é quase um eufemismo.

  4. André de Brito disse:

    Tu não gostasse do final de Six Feet Under? Primeira pessoa que vejo dizer isso.

    Realmente um final pode compremeter um pouco a visão geral da série. Mas, por enquanto, Mad Men está no topo da televisão e axo Don Draper tão complexo quantos os outros protagonistas.

  5. Post legal, Matias.

    Mas quanto ao Don Draper, acho que você tá confundindo a frieza, o coolness e o desapego do personagem que Don Draper finge ser. O verdadeiro cara ali (é Dick o nome verdadeiro, né?) tá num interessantíssimo processo de desmoronamento pelas últimas 5 temporadas.

    Tem alguns textos no Last Psychiatrist bem interessantes sobre isso.

    • Valeu Andre.

      Eu vejo por outro prisma: o Dick inventou o Don pra se defender e agora nao sabe mais quem ele mesmo eh. Daih o choro dele logo no comeco da serie, qdo reencontra (de forma tragica) o irmao. Tanto q qdo ele leva a familia pra California, ele parece se sentir mais aa vontade, pq ele nao precisa mais fingir q eh o Don.

      Arruma os links desses txts ae!

  6. Pois é isso mesmo, rapaz. Você vê o cara na Califórnia, com a antiga amiga dele, ele é um outro cara, muito mais relaxado, feliz. E aí, pra se ajustar na persona “executiva” inventada por ele (que agora é sua vida real, afinal) ele se constrange e se amargura todo. Não consegue segurar um relacionamento consistente, mas sempre procura por envolvimentos emocionais profundos. Ao mesmo tempo ele morre de medo de perder o que já construiu (lembra do pânico dele qdo achou que o Exército descobrira sua farsa?).

    Na última temporada ele quase consegue achar um sentido pra nova vida dele, mas tudo desmorona de novo. O Last Psychiatrist diz que Don Draper é o pior tipo de homem: seduz as mulheres com seu charme frio e descolado, promete sexo sem compromisso, e depois as arrasta para uma montanha-russa emocional. O cara é pirado, afinal.

    Putz, eu acho um puta personagem. Não acho tudo isso raso não 🙂

    Taí embaixo os links (são 2 partes). Vale muito a pena ler. Tempos atrás fiquei na pilha de traduzir, quem sabe me animo.

    PARTE 1:
    http://thelastpsychiatrist.com/2009/10/don_draper_voted_most_influent_1.html

    PARTE 2:
    http://thelastpsychiatrist.com/2009/10/you_want_to_be_don_draper_you.html

  1. 04/03/2013

    […] O Matias escreveu sobre a proximidade da 6ª temporada de Mad Men e fiquei pensando na comparação que ele fez entre Don Draper e Tony Soprano. Pra ele, o publicitário da avenida Madson tem “angústia e sofrimento interior quase nulos” e não é complexo como o gângster de New Jersey. Foi no ponto do que acho aproximar ainda mais as séries: a relação dos protagonistas com seus próprios sentimentos e suas percepções do mundo. Tony Soprano é o cara que exterioriza tudo, chegando ao ponto de tentar solucionar seus dramas com o simples assassinato de alguém ou buscando os conselhos de uma terapeuta. Aliás, esse auxílio médico faz Tony se sentir ainda mais culpado por estar rompendo com o padrão de macho-alfa concebido pelos mesmos idealizadores da estética do sonho americano. E aí entra Don Draper, o cara que internaliza todos seus dilemas e sofrimentos. Muito mais articulado que Soprano, mas incapaz de entender as mudanças em curso no mundo no começo dos anos 60 e as origens de suas insatisfações. […]