Cinco anos de Queremos

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Já fazem cinco anos que meu compadre Bruno Natal, ex-sócio no saudoso OEsquema, e mais cinco amigos cariocas quebraram a cabeça para conseguir trazer para o Rio artistas gringos que vinham tocar em São Paulo. Testaram uma pré-venda diretamente com o público, dividindo os custos do evento com um grupo que chamaram – e chamam até hoje – de “empolgados” e conseguiram levar um rol de artistas de peso para o Rio, mudando o cenário da cidade e inventando um novo modelo de negócios, já que o Queremos, nome que deram para a iniciativa, está com uma série de novidades para além do formato tradicional. O aniversário já está sendo comemorado essa semana, quando fizeram o segundo show da segunda banda que trouxeram para o Rio, o Belle & Sebastian, mas o aniversário será comemorado com uma festa com show da dupla Rhye e doze DJs no dia 12 de novembro e um livro com todos os pôsteres dos shows que fizeram nestes cinco anos (que inclui gente como Thurston Moore, Yo La Tengo, Chromeo, Of Montreal, Tame Impala, Gossip, Stephen Malkmus, Breeders, Xx, Cut Copy, De La Soul, LCD Soundsystem, National, Primal Scream, Metronomy, Warpaint, Rapture, Franz Ferdinand, entre outros). O livro e os ingressos para a festa podem ser comprados no site do Queremos – e eu conversei com o Bruno sobre este aniversário e outras que ele anda armando lá no Rio, inclusive como anda o URBe depois do fim dOEsquema.

Vocês imaginavam que o Queremos duraria tanto?
Quando a gente fez o primeiro show, a ideia era mesmo fazer aquele show, sem saber que bicho ia dar, então acho que não tinha essa pretensão. A partir do segundo já foi diferente, pois gostamos do resultado e queríamos fazer mais e mais shows, por consequência já imaginando que isso duraria um tempo sim.

O que mudou de cinco anos pra cá?
Tudo! E nada! Hahaha! Mudou a cena do Rio, completamente. Hoje em dia quase todo show vem pra cá, alguns inclusive sem ser pelo Queremos!, o que é ótimo. Mudou muito o mercado de forma geral, com shows se tornando cada vez mais importante nas finanças de um artista, o que valoriza ainda mais o espetáculo. No caso do Queremos! especificamente, mudou bastante. O projeto tornou-se uma empresa, com funcionários além de nós cinco, expandiu fronteiras e hoje opera nos EUA como WeDemand – e globalmente, já tendo realizado shows também no Canadá, Alemanha, Argentina, Chile…. Em termos de formato, o crowdfunding foi dando vez aos pedidos dos fãs por shows através da plataforma. Produzindo muito mais shows e tendo muito mais gente querendo coisas diferentes, hoje a questão é muito mais saber o que vai virar do que levantar o dinheiro antes – embora essa ainda seja a questão as vezes, ou uma combinação dessas duas coisas. Isso ampliou os horizontes do Queremos! e do WeDemand em termos de curadoria e negócios.

E a idéia de fazer o Queremos internamente no Brasil, como anda?
Tem rolado bem. Vários artistas já utilizaram a plataforma pra realizar shows fora de suas cidades. Clarice Falcão, Cícero e Mombojó são alguns deles. Também fizemos shows com o Nouvelle Vague em Fortaleza apenas porque foi possível realizar dentro da proposta da plataforma.

Fala um pouco de como anda o projeto nos EUA?
Buscar espaço com uma proposta disruptiva no principal mercado de entretenimento do mundo não é moleza. O processo é lento, mas temos começado a colher resultados interessantes. Aos poucos os empresários, agentes e produtores vão entendo as vantagens de se trabalhar em cima de informações precisas no lugar de suposições na hora de marcar shows e assim temos trabalhado com artistas maiores, como Trey Songz, e tbm com muitas estrelas do YouTube, como Jack & Jack e Cimorelli.

E o Urbe, como anda? O fato do Globo ter extinto o Transcultura, que você era um dos responsáveis, muda sua abordagem no blog?
2015 foi um ano turbulento para mim no âmbito pessoal, com muitas mudanças. Duas delas foram o fim do portal OEsquema, onde o URBe estava hospeado, após 8 anos, a outra foi o fim da coluna. De volta numa url individual, o URBe passou a demandar mais tempo, que a princípio eu não vinha tendo. Com o fim da coluna, o blog voltou a ter uma importância maior me termos de servir como minha central de ideias e por isso estou retomando o ritmo normal. Ainda não voltei com os textos mais longos, mas em 2016 eles vem.

E o que você tem achado da atual cena carioca? Quem são os nomes da cena que ainda vão aparecer?
Está borbulhando. Tem muita coisa que não é exatamente do meu gosto pessoal, mas é muito legal ver cenas como da Audio Rebel – por onde passam nomes como Ava Rocha, Cadu Tenorio e tantos outros – se firmando. Tem muita banda nova, mas me parece que está tudo ainda muito desconectado. Isso deve mudar em breve, o que vai certamente trazer luz a algo que rapidamente será batizado como algum movimento pela mídia e gerará a usual polêmica e desgaste. Aquela roda de sempre. Mas pra mim, prova de quem tem algo se materializando é que cada vez mais tenho visto artistas de ondas bem diferentes frequentando os eventos um dos outros. Isso é bem legal e pode ser uma marca do que está por vir. Tem uma galera que já está saindo do Rio até, Omulu, Letuce, Leo Justi, Diogo Strausz, Alice Caymmi, Dônica, Ava, Lila, Negro Leo, Séculos Apaixonados, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado em carreira solo… Tem muita coisa rolando e se expandindo.

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