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Mais do que a primeira pessoa a fotografar os Beatles como um grupo, Astrid Kirchherr, cuja morte, terça passada, só se tornou pública nesta sexta (com um tweet do beatlólogo Mark Lewisohn), foi a responsável por apresentar-lhes as primeiras noções práticas de estilo. Ela fazia parte do trio de amigos que foram os primeiros fãs da banda em sua temporada em Hamburgo, na Alemanha, em 1960, e que logo se tornaram os primeiros amigos alemães do grupo. John Lennon chamava Astrid, Klaus Voorman e Jürgen Vollmer de os “exis”, em referências aos existencialistas franceses, mas foi a fotógrafa e estudante de moda que mais mexeu com o senso estético e existencial do grupo – era uma mulher que morava sozinha, tinha seu próprio emprego e seu próprio carro, além de usar cabelo curtinho, algo impensável para aqueles caipiras de uma cidade portuária no norte da Inglaterra.

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Além das fotos estilosas que consagraram essa pré-história da banda, que ainda contava com o baixista Stuart Sutcliffe e o baterista Pete Best em sua formação, ela também foi responsável por inventar o penteado que anos mais tarde seria reconhecido como o corte de cabelo dos Beatles, cortando primeiro o cabelo de seu namorado na época, Stu, que ficou em Hamburgo quando a banda voltou para Liverpool, e depois o de cada um dos outros Beatles (menos de Best, que manteve o topete). Mesmo depois que o grupo voltou para a Inglaterra e fez sucesso no resto do mundo, eles continuaram o contato com ela, que nunca foi muito fã daquele tipo de fama. Descanse em paz.

Foto: Bob Gruen (divulgação)

Foto: Bob Gruen (divulgação)

Pouco antes da pandemia nos enclausurar em casa, pude conversar com o fotógrafo norte-americano Bob Gruen, cujas fotos que fez John Lennon em Nova York são tema de uma exposição no MIS-SP, que foi suspensa até o fim desta quarentena estranha. Amigo pessoal de John, Bob passou quase todos os anos 70 perto do beatle e o ajudou a criar uma imagem que o distanciasse do grupo que o consagrou, fazendo retratos que hoje se confundem com a própria imagem pública de John. A entrevista rendeu uma matéria para o site da revista Zum – confere lá.

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O artista digital tcheco Filip Hodas é tão fissurado em fazer crânios no computador que resolveu deixar sua imaginação fluir ao cogitar versões esqueléticas de nossos desenhos animados favoritos. Originalmente, como ele conta em seu portfólio online, onde exibe a exposição Cartoon Fossils, ele queria expor personagens como Popeye, Tio Patinhas, Pateta e Bob Esponja como se fossem esqueletos de dinossauros, mas alguns não eram tão reconhecíeis, então ele resolver acrescentar acessórios dos personagens para facilitar o reconhecimento dos mesmos.

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Tem mais lá na página do Behance dele, onde ele também comenta sobre o processo de criação desas figuras.

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Letícia aos poucos começa a revelar seu próximo álbum e adiantou para o jornal O Globo o título e a arte da capa: Letrux Aos Prantos é o nome do sucessor do ótimo Em Noite de Climão, que ela apresentou anunciando que “o choro é livre e que bom, pelo menos isso ainda nos é permitido. Sorte de quem chora, como eu”. A pintura que faz parte da capa – e não é a capa em si – foi feita por Maria Flexa a partir de uma foto feita por Victor Jobim: “Coloquei uma composição de Bach que me faz chorar desde criança e ele me fotografou”, explica a cantora carioca, que ainda antecipou participações de Lovefoxxx e Liniker no novo disco, que será lançado no dia 13 de março.

Como pede o clima intenso das faixas (“Tem de tudo, até samba. Um samba meio Twin Peaks, meio David Lynch, mas é um samba”, disse ao jornal), o disco não terá single de apresentação e chega todo de uma vez só.

Atualização (12 de fevereiro): Letícia finalmente revelou a capa de seu novo disco (ointura da Maria Flexa, foto Ana Alexandrino e arte gráfica de Pedro Colombo) e escreveu sobre o conceito por trás dela:

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Desde criança, choro com o concerto para 2 violinos em Ré menor do Bach. Meu pai tinha alguma coletânea de música clássica (mais tarde Thiago Vivas me ensinou que deveria ser coletânea barroca, risos). Eu amava dar play, ouvir tudo deitada na cama, e tinha a hora exata do pranto. Eu sentia o trajeto da lágrima inteiro dentro de mim e tinha o auge momento de botar pra fora. Passei anos sem ouvir, depois lembrei de tal obra magnânima e que alegria ela sempre existir. Quando fui no ateliê da Maria Flexa, pintora que fez o quadro, levei minha caixinha de som e convoquei Bach pra chorar na frente dela e do namorado, Victor Jobim, que me fotografou (analogicamente), chorando. Nunca tinha visto Maria nem Victor na vida. Mas chorei na frente deles. Choro um bocado. Sempre fui llorona. E sempre me foi permitido ser. “Menina não chora”. Isso não rolava. Isso nos era permitido. E eu aproveitei. Choro de tristeza, de raiva, de horror, de gozo, de saudade, de alegria. Choro com vídeos de superação, luto, bichinhos nascendo, bebês aprendendo algo. Choro de gargalhar (the lícia esse choro). Convoquei Ana Alexandrino minha fotógrafa de sempre, caprina, pra me registrar segurando esse quadro da Maria. O Climão teve aquele meu carão na capa. Aos prantos tenho outro rosto, em forma de pintura. Sou antiga, não posso evitar cronos pra mim. Já havia trabalhado com Pedro Colombo fazendo o clipe de Puro Disfarce. Pedro conseguiu reunir elementos dessa fotografia, desse quadro, desse álbum, dessas músicas, da minha água, e elaborar essa belíssima capa do próximo disco. Vestido Ateliê Guto Carvalhoneto, styling Luiz Wachelke.
E lá vou eu ouvir o concerto para 2 violinos em Ré menor. Recomendo.

E ainda linkou o tal concerto: “quem quiser chorar, 4:22 era a hora em que eu não sabia se estava viva”.

A foto da capa

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Teago Oliveira, Douglas Germano, Chico César, Alessandra Leão, Jards Macalé, Emicida, Rakta… Conversei com alguns dos autores das melhores capas de disco com fotografia de 2019 em uma matéria para a revista Zum – leia lá.

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Dona de um dos melhores discos de 2019, a jovem Billie Eillish acaba de lançar, sem alarde, a faixa “Everything I Wanted”, baladinha introspectiva que vai de encontro à atitude dedo na cara de seu disco de estreia, When We All Fall Asleep, Where Do We Go?, lançado no início do ano – aproximando-se da sonoridade que lançou a neo-zelandesa Lorde para o planeta: beats discretos, teclados sonhadores, vocal cabisbaixo.

Será que ela vai lançar outro disco ainda este ano?

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Kevin Parker ligou as máquinas de seu Tane Impala e anunciou que seu quarto álbum, batizado The Slow Rush, chega em 2020 – mostrando tanto esta ótima capa (acima) como um vídeo com cenas das gravações para dar um gostinho do que vem por aí…

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O rapper paulistano Emicida dividiu seu próximo disco, AmarElo, em duas partes, e a primeira delas já tem data pra chegar: dia 31 de outubro nas plataformas digitais. Ele divulgou o nome das músicas, as colaborações e a capa dp disco, e impressiona o time que ele reuniu, que tem desde Fernanda Montenegro até Zeca Pagodinho, passando por MC Tha, Fabiana Cozza, Marcos Valle, Pabllo Vittar, Ibeyi e Dona Onete.

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“Principia”, com Pastoras do Rosário, Pastor Henrique Vieira e Fabiana Cozza
“Ordem Natural das Coisas”, com MC Tha
“Pequenas Alegrias da Vida Adulta”, com Marcos Valle e Thiago Ventura
“Quem Tem um Amigo (Tem Tudo)”, com Zeca Pagodinho, Tokyo Ska Paradise Orchestra e Os Prettos
“Paisagem”
“Cananéia, Iguape, Ilha Comprida”
“9nha”, com Drik Barbosa
“Ismália”, com Larissa Luz e Fernanda Montenegro
“Eminência Parda”, com Dona Onete, Jé Santiago e Papillon
“AmarElo”, com Pabllo Vittar e Majur
“Libre”, Ibeyi

A capa do disco é uma foto de 1974 feita pela fotógrafa Claudia Andujar, conhecida como uma das principais especialistas na fotografia destas tribos, na aldeia Ianomâmi, em Roraima. “Em se tratando de fotografia, acho que a conquista maior é fazer um pedaço de papel com uma imagem se tornar uma janela”, escreveu sobre a capa nas redes sociais. “Isso faz com que a gente queira pular dentro dos retratos de catástrofes e ajudar de alguma forma, sentir o cheiro de campos cobertos de girassóis ou sentir os respingos de água que passeiam pelo ar após o salto encantador de uma baleia por cima das ondas do mar. Claudia Andujar, com sua imensa sensibilidade, consegue em seus retratos dar um passo além disso. Ela transforma seus retratos em espelhos, de maneira a nos encontrarmos no outro e consequentemente, ele também se encontrar em nós. Meu sonho é conseguir fazer isso com minha música. Ser um ponto de encontro, onde todo mundo se torna um. Foi por isso que escolhi um retrato dela para ser a capa de AmarElo.”