Indie

Bem que eu tava falando: a procura pelos ingressos do Little Joy em São Paulo foi tanta que os ingressos terminaram rapidinho (fã de Los Hermanos, né… Quer o quê?) e a Clash já anunciou um show extra para a banda. Por isso, se agiliza.

Então corre, porque parece que os ingressos pro show de São Paulo tão acabando… a ponto de cogitarem um segundo show.

É, a gente te disse e agora é oficial: o show do Radiohead com Kraftwerk em março não deve contar apenas com a abertura do Los Hermanos mas também com os Vanguart. Bem bom, hein…

É, o boato já rola há um tempo (eu até já havia comentado aqui) e agora o NME começa a cogitar de forma mais séria, com o próprio Scott Kannberg admitindo a volta… Quem vai?

Diplo x MGMT

E por falar nos remixes do Wesley, você sabe que ele só funciona quando pega música ruim, né? Sempre que pega uma música boa, ele burila aqui, acolá e ou mexe pouco ou caga o pau (repare, no disco do post anterior, o que ele faz com as músicas do Cansei, do Peter Bjorn & John e do Black Lips. Não é diferente quando ele pôs as mãos sobre a melhor música do MGMT. Olha o estrago – tou postando mais pela curiosidade…


MGMT – “Time to Pretend (Diplo Remix)

Falando no Diplo, ele finalmente reuniu parte de seus remixes num mesmo disco, já com data de lançamento de 2009. Decent Work For Decent Pay: Selected Works Volume 1 reúne trabalhos que o DJ da Filadélfia fez nos últimos anos: tem Daft Punk, Kano, Spank Rock, Cansei de Ser Sexy, Bloc Party, Hot Chip, Bonde do Rolê, entre outros. Já tava na hora…


Black Lips – ” Veni Vedi Veci (Diplo Remix)

Diplo pode ser o picareta que conhecemos, mas seu faro para perceber quando algo está esquentando é invejável – e logo que Santogold começou a aparecer no sismógrafo da música pop mundial, ele já deu um jeito de chamá-la para seu lado e, como fez com a M.I.A. em 2004, apresentá-la como estrela de uma mixtape. E, usando a compilação como uma tela, fez questão de exibir tons que tivessem a ver com as faixas da cantora que ele queria usar – assim, “L.E.S. Artistes” emenda com o Cutty Ranks, seu remix para “Lights Out” do Panda Bear (com Santogold no vocal) é seguido por Aretha Franklin, Devo e B-52’s, a versão para “Guns of Brixton” do Clash (que vira “Guns of Brooklyn” com novo vocal) fica entre uma instrumental do trombonista Desmond Dekker e uma versão para “Iko Iko”. Mais um passeio pelo terceiro mundo, desta vez com a cabeça na Jamaica. É só acender.

34) Diplo & Santogold – Top Ranking

Diplo & Santogold – “Guns of Brooklyn”

Post quase inteiro surrupiado do Ronaldo, só variei a foto para outra do mesmo set que Lily Allen fez para a GQ. Numa entrevista à revista Word, ao ser perguntada sobre se ela se preocupa com o futuro da indústria da música, ela respondeu:

“I do! I was having dinner with Mick Jagger the other night and I said to him, ‘I fucking hate people like you!’

“We were talking about the music industry and I told him it really irritates me that I’ll never make anything like the amount of money they have and he said, ‘Well, when we started out there was no money either; then, in the ’70s and ’80s, there was this huge boom. But it’s gone down again now.’

“But I often think, ‘I’m really famous and I sell a lot of records, why aren’t I a multi-millionaire?’

“Don’t sign a record deal – that’s my advice. Do it yourself. And definitely don’t sign a three-sixty deal! Actually, I want to start a management company called Seven-Twenty…”

“The only thing I get [from Terra Firma] is emails saying, ‘Where’s your fucking album? We gave you £150,000 [$300k] last year. Where is it?’. I read a piece with Miles – my record company boss – in Music Week [magazine] the other day, talking about me as his thing for ‘Quarter Four’. It made me feel disgusting, like some cheap product. It’s really sad for EMI. I hate Terra Firma. They’re wankers and they don’t know what they’re doing. They will fail. They don’t know how to run a creative business. They are killing us, frankly”.

“I got £50,000 [$100k] for my first album and I sold a lot of records. I worked really hard and was put up in nice hotels and treated well and went on to sell two-and-a-half million albums for EMI. So I expected the next time round for things to get better. But they got worse. I get emails asking if I could go to go to Paris for a week to work with some hot producer. I ask for a hotel and I get a two-star place in the eighth arrondissement on my own.”

“I’m like, ‘Do you want me to get raped and killed?’ Maybe that is what they want? Terror Murder! The annoying thing is, I know that twenty years ago I’d have been booked in at the Ritz with five grams of cocaine on my table and ten bunches of flowers. Some new clothes. A chauffeur on twenty-four-hour call. Now I’m lucky to get an Oyster card”.

“I’m not snobby, but if I have to go away for work, why can’t it be nice for me when it’s making you money? I make no money from selling records – obviously – but they’re still arsey about hair and makeup!”

“They don’t understand anything. They have all these annoying people running the company who have no idea what it’s all about. I look at Universal and see they’re doing it well.”

“So that’s what I think of them. It’s an uphill battle. I wish I could get dropped. But it won’t happen. But it’s not EMI that are the arseholes – it’s Terra Firma. The people who work with me from EMI are brilliant.”

A melhor releitura para “Paper Planes”?

DJ Schmolli – “M.I.A. Wanted Dead or Alive

Num tempo em que a própria existência do conceito de disco é posta em xeque, será que dá pra questionar o papel do terceiro disco? Se o peso sobre a segunda obra de uma banda já até deu origem à expressão “síndrome do segundo disco”, hoje ela já se estica para o álbum seguinte, como se viver de música voltasse a ser uma profissão de risco (longe dos riscos do faroeste do passado, hoje o ambiente é clean e burocrático). Num tempo em que a sobrevivência das bandas vem de um misto de relação intensa entre os fãs e hits emblemáticos para o resto das pessoas, gravar um terceiro disco pode ser um certo exagero. Afinal, o que é que a banda quer com isso? Fazer uma turnê? Apresentar faixas novas? Bater cartão? 2008 ouviu a alguns destes exemplos de discos lançados pela simples obrigação de lançar disco – e vários grupos que já estão cravados em nosso imaginário tiveram canções perfeitas encobertas por discos irregulares – “Everyone Nose” do N*E*R*D e “The Rip” do Portishead são os exemplos mais evidentes.

O Franz Ferdinand driblou a tal síndrome do segundo disco fazendo um disco idêntico ao primeiro, uma estratégia que tem embasamento histórico – do Blondie aos Buzzcocks, passando pelos Ramones, Pere Ubu, Talking Heads, Devo e os próprios Beatles – e que era repetida, sem sucesso, por diferentes colegas de geração do Franz, como Strokes, White Stripes, Killers e Interpol, sem sucesso. Mas o punk pra dançar proposto pelo quarteto escocês destoava da geração do novo rock dos anos 00 tanto pela euforia exagerada dos hits como pela estrutura populista das canções – que soavam mais como coleções de refrões e riffs do que canções propriamente ditas. Com uma música do Franz Ferdinand dá pra fazer umas três ou quatro destas outras bandas.

Mas se deu pra disfarçar no segundo, as coisas no terceiro não iriam ser tão fáceis. E depois de enrolar por todo 2008, o Franz começou a estruturar seu disco em público, batizando músicas novas nos shows, deixando escapar um ou outro MP3 e assim medindo a recepção e impacto em relação às faixas antigas. E mesmo que o grosso das faixas de Tonight: Franz Ferdinand, o disco que vazou durante o fim de semana, seja conhecido do fã mais completista, elas vêm com nova roupagem – e é justamente isso que justifica a existência do disco.

Grande parte das canções poderiam estar em ambos discos anteriores, mas não como elas se apresentam em Tonight. O clima do novo álbum é, óbvio, noturno, mas o Franz aproveita as sombras da noite para dar um grau de seriedade e tensão inexistente na banda até então. Desde a capa (que retrata uma cena do crime em algum dia do meio do século 20) aos títulos da música, passando pelo pulsar disco music que permeia todo o disco e pelo ar sempre sério e tenso de todas as faixas – não estamos ouvindo um Franz Ferdinand amadurecido, mas apenas uma banda fazendo pose, como se estivesse vestindo uma roupa mais arrumada que o habitual e fizesse caretas no espelho para justificar os novos trajes.

Assim, se antes as músicas da banda tinham uma certa informalidade dance ou ironia artsy que inevitavelmente guardava um sorriso, em Tonight o ar é mau. Eles resolvem a equação que fazia Michael Jackson não soar tão malvado quanto queria em “Bad”, mesmo com Martin Scorsese na direção do clipe: em vez de uma música animada, o lance era diminuir o BPM pro ritmo de “Billie Jean”. Ali, no compasso do metrônomo, tic-tac, que o Franz caminha pela noite, seja por uma rua mal iluminada ou atravessando a massa da pista de dança. E o fato de ter feito isso num terceiro disco faz com que a banda não pareça estar assumindo a eletrônica, mas apenas usando-a como um acessório específico para criar os climas deste disco, mais próximo da nu-disco e desta house à Hercules & the Love Affair do que da new rave (como fez o Rapture em seu disco passado – “more cowbell”).

Assim, Tonight funciona como mais um pilar na história do rock para dançar deste começo de século, que começa com os Strokes passa pelos mashups do 2ManyDJs, “House of Jealous Lovers”, LCD Soundsystem, White Stripes, Arctic Monkeys, Justice e umas cinco ou seis músicas do próprio Franz. Mas o novo disco não é só uma coleção de hits: é uma obra com começo, meio e fim, sendo seu momento central a nova versão para “Lucid Dreams”, que originalmente era uma new wave grudenta e em sua atual versão ganha ares de épico techno.

Discaço: agora sim temos um primeiro grande disco de 2009.


Franz Ferdinand – “Lucid Dreams