Dance

Mais Jacko

Viram a capa da Q? Não é agilidade editorial – mesmo porque quando uma revista não é semanal, ela quase sempre é pensada sempre a médio/longo prazo (revista é, conceitualmente falando, o extremo oposto do “tweet”). A Q vinha pensando nessa capa há pelo menos três meses e tinha como gancho os 50 shows que Michael Jackson faria em Londres – e a tiragem havia acabado de chegar ao distribuidor inglês quando a notícia de sua morte foi confirmada. O autor da foto, o fotógrafo John Wright, teve apenas um minuto e meio para realizar seu trabalho e disse ao site da Sky News que “ele parecia exatamente como você esperaria que Michael Jackson parecesse: cabelo liso, jaqueta militar, óculos escuros o tempo todo. Ele estava usando muita maquiagem e não tinha a pele mais saudável que eu já vi”, explicou, “minha principal lembrança é a de como ele era educado – esqueça tudo que aconteceu, se você fosse um de seus pais, ficaria orgulhoso de como ele tinha sido criado”.

Alguém ainda agüenta Michael Jackson? Se eu fosse você agüentaria, porque essa mixtape que o J.Period subiu no site deleMan or the Music – é finíssima. Olha o setlist:

“Workin Day & Night (Demo Version)”
“Workin Day & Night”
“P.Y.T. (Re-Edit)”
“Wanna be Startin Somethin”
“Mama Say”/”Don’t Stop Til You Get Enough (Interlude)”
“Don’t Stop Til You Get Enough (Demo Version)”
“Let’s Dance (Shake Your Body Down to the Ground)”
“Dancing Machine”
“Billy Jean (Demo Version)”
“Can You Feel It?”
“Off the Wall”
“Rock With You”
“Say Say Say”
“Smooth Criminal”
“In the Closet”
“Remember the Time”
“I Wanna Be Where You Are”
“It’s Great to be Here (Remix)”
“Can’t Help It”
“Ah One Two”
“Heartbreak Hotel”
“I’ll Be There”
“Right Here Interlude”
“Human Nature”
“It’s Your Thing”
“Rockin Robin”
“I Want You Back”
“ABC”
Bonus: “Man in the Mirror”
Bonus: “Stranger in Moscow”
Bonus: “Lady in My Life”

E aí, ninguém anima trazer pro Brasil?

Pop definitivo

“Billie Jean”: a melhor canção pop de todos os tempos

Sempre discotequei por prazer – nunca por dinheiro, fama, tiração de onda. Ainda moleque, eu levava fitas para as festas porque sabia que se eu não fizesse isso, iam simplesmente deixar um disco qualquer tocando, e eu sempre me preocupei com a trilha sonora da minha vida. Quando resolvi, pela primeira vez, colocar músicas para botar pessoas que eu não conhecia para dançar, o único intuito era me divertir fazendo estes estranhos – que no começo era uma grande turma de amigos – ouvirem música boa. E isso aconteceu em Campinas, entre 96 ou 97 (memória-lixo, não repare), quando eu e mais três compadres, Serjão, Roni e William, resolvemos botar nossas coleções de vinil e músicas recém-descobertas em ação.

Éramos os quatro uma espécie de gangue adolescente dentro do Diário do Povo: Serjão, o mais velho de todos (acho que ele é de 1970, se não me engano) e já editor de fotografia do jornal; eu era editor de arte (e não de cultura, perceba a diferença) e ilustrador do mesmo jornal e meu único colega de editoria era o Roni. Ali eu também editava a versão impressa do Trabalho Sujo com o auxílio luxuoso dos dois – Serjão era meu inseparável dupla na cobertura de qualquer show que a gente quisesse ir e o Roni desenhava o logotipo da coluna, que mudava toda edição. O William ficava ali quietinho, só de butuca, sacando as conversas e inevitavelmente acabou entrando na turma. Os três eram os betatesters do Sujo impresso – discutia pautas que queria abordar e mostrava versões diferentes do desenho da página ou de um determinado texto. Logo, resolvemos migrar nossa paixão por música para uma festa. Nem eu nem Serjão nunca tínhamos discotecado de verdade, o William era DJ de hip hop e atendia pela alcunha de W/Break e o Roni fazia umas fitas psicopatas de deixar fã de Mike Patton sorrindo de orelha a orelha – com o cut & paste mais roots do planeta, na base do rec e pause do toca-fitas.

A festa não tinha nome – era informalmente chamada de “festa black”, numa clara referência ao sucesso da verdadeira Festa Black de Campinas, que acontecia na Unicamp e tinha no comando meus compadres Cris Pesadelo e o DJ Paulão. Mas criamos uma alcunha pra empreitada – era o Quarteto Funkástico. A pegada, óbvio, eram grooves setentistas, mas jogávamos tanto pra música brasileira (Serjão, anos depois, consagraria sua discotecagem especificamente nessa praia), pro hip hop, disco music e algum rock com um mais groove (eu sempre dava um jeito de botar “The Mexican” no meio da festa e “Sure Knows Something” mais pro final). E mesmo revezando entre quatro DJs, inevitavelmente rolavam umas cagadas – alguém esbarrava na mesa com o som, o disco emperrava, a próxima música cortava completamente a onda da anterior, um pedido de alguém que foi atendido mas só uma turminha curtiu… Enfim, coisas de quem estava começado a caminhar a trilha da edição da realidade sonora de uma noite (porque, afinal, todo DJ é um editor).

E nesses primeiros passos, aprendia-se alguns macetes. Desde dizer que a música que a pessoa já pediu já foi tocada (ou que às vezes não era mentira) a aprender quem que discotecava melhor com quem em que parte da noite. E um dos principais aprendizados nessa etapa é o às na manga. Você precisa ter uma música para salvar tudo quando tudo der errado – se a pista esvazia subitamente, se alguém desliga uma tomada, se o CD-R deu problema na hora de ser lido no CD-player (que ainda eram daqueles de mesa…). Você precisa ter uma rede de segurança, uma bala na agulha, um colete salva-vidas sonoro que, ao mesmo tempo em que te tira do apuro de esvaziar a pista, ainda resgata o ânimo de pessoas que só queriam dançar e pegar alguém depois de um dia de trabalho.

À medida em que descobríamos quais músicas despertavam diferentes instintos no público, convergimos para “Billie Jean”. Era o meio-termo perfeito, a equação exata, o equilíbrio pleno entre melodia e ritmo, groove e atitude, sensualidade e robótica e o gosto musical de nós quatro. Seus elementos iniciais são capaz de despertar a felicidade interior que se traduz em dança – Michael Jackson equilibrando-se entre o sexo e suingue, a pura sacanagem e o funk. O compasso reto, aberto por uma bateria metronômica e seguido por uma das linhas de baixo mais abusadas já escritas, logo vinha acompanhado de um teclado minimalista, que só pontua os passos dos outros dois instrumentos. Antes mesmo de Michael começar a soluçar e sibilar sílabas e gemidos, aquela base instrumental continha calor suficiente para incendiar uma selva ao mesmo tempo em que disposto mecânicamente, num ritmo quase industrial.

É tocar “Billie Jean” e tudo se resolve: o apuro, a pista, a noite. Por diversos outros momentos da minha vida fui percebendo que a faixa não era apenas uma segurança pessoal, mas universal – e presenciei, como você inevitavelmente já deve ter presenciado ou presenciará, infalivelmente. Mais do que um truque de luxo, a faixa tinha lugar de honra em vários sets, em diferentes lugares e situações. Ouvi em festivais de música eletrônica, em festas badaladas de São Paulo, em bailes funk no Rio, durante o carnaval do Recife, festa em casas de amigos – uma música perfeita, o ápice de dois gênios, o balé perfeito entre duas forças de diferentes naturezas: Quincy Jones e Michael Jackson.

“Billie Jean” é a melhor canção pop de todos os tempos. Não é pouco. A lista de concorrentes não é fraca e quase todas pendem à perfeição. “Like a Rolling Stone”, “Bohemian Rhapsody”, “Imagine”, “One”, “Stairway to Heaven”, “Strawberry Fields Forever”, “Superstition”, “Le Freak”, “God Only Knows”, “Hey Ya”, “Dancing Queen”, “Detalhes”, “Smells Like Teen Spirit”, “Walk On By”, “Faith”, “Hey Jude”, “Love Will Tear Us Apart”, “Anarchy in the UK”, “One More Time”, “Satisfaction”, “Crazy”, “What I’d Say”, “Kiss”, “(Sittin’ On) The Dock of the Bay”, “Garota de Ipanema”, “Last Nite” – são músicas que te abrem para universos inteiros, complexos, cheios de interpretações e possibilidades, ambientes virtuais imensos de emoções sinceras, mas condensados em poucos minutos e palavras, melodias quase sempre simples e diretas, mas arranjadas e interpretadas com precisão assombrosa. Nenhuma vogal é gratuita, nenhum ruído é exagerado, há um entrosamento perfeito entre músicos e técnicos de som e o arranjo apresentado na pós-produção é tão importante quanto a composição ou a letra de cada uma delas.

Mas, ao mesmo tempo, ela tem algo imperfeito – um elemento indefinível, que caminha entre o groove sem rosto da linha de baixo e a bateria que teima em seguir o compasso do teclado. Michael surpreende como compositor, ao propor um tema nada leve para a canção, e como intérprete, ao convencer que está sendo acusado de ter um filho bastardo. Sem contar o que faz sua voz – gravada em apenas um take, ela percorre todos os tons propostos por Michael, do grave ao falsete, com direito aos gemidos, gritinhos e estalos que se tornariam marca registrada em praticamente todas suas faixas a partir de então. Mesmo com a sensualidade exata, coisa pra pouquíssimos – Tina Turner, Gal Costa, Mick Jagger, Robert Plant, David Bowie, Isaac Hayes, Prince, Marvin Gaye, Madonna, Serge Gainsbourg em sua “Je T’Aime (Moi Non Plus)”, Alicia Keys, James Brown -, “Billie Jean” é sintética, fria, robô. A precisão mecânica era um obsessão recente em Quincy Jones, que tinha em Michael Jackson seu vínculo com a contemporaneidade que deu ao mundo a disco music e o hip hop, que ele traduziu com perfeição neste arranjo noturno e sombrio. E, principalmente, adulto.

Mas antes de coroarmos Jones, lembre-se quem é o Rei do Pop. Foi Michael que exigiu quase meio minuto de introdução instrumental, alegando que era essa introdução que o fazia ter vontade de dançar. Ele insistiu na inclusão da faixa em Thriller, no tema e até mesmo no título (que Jones queria batizar de “Not My Lover”) e é responsável por sugerir os principais ingredientes da música – até mesmo o “do think twice” ecoado aos 2:15.

Não bastasse “Billie Jean” ser esta fissão nuclear em câmera lenta, ela ainda veio acompanhada por um clipe que reinventava Michael Jackson como o mais próximo de um super-herói que um popstar já chegou – e um super-herói mágico, sutil, transcedental, humano. Seus superpoderes eram o de acender a calçada a cada passo e o de deixar a música encarnar em si, como se pudesse absorver toda força de qualquer canção que interpretasse. E no clipe de “Billie Jean”, com a tensão sexual talhada milimetricamente pela faixa, qualquer movimento era música. E Michael Jackson, em quase cinco minutos, fazia com jovens nascidos nos anos 70 o que os Beatles e Elvis Presley fizeram com duas gerações, só que ao mesmo tempo: criava um momento histórico e definitivo, que ao mesmo tempo tinha ares de aparição divina quanto de simpatia juvenil. Era 1983 e todo mundo que o viu pela primeira vez se apaixonou e queria ser Michael Jackson.

Lembro que Thriller foi o primeiro disco que eu pedi para comprar – até então só ganhava discos infantis da Disney e começava a passear pela coleção de MPB dos meus pais. Quando “Billie Jean” iniciou o reinado de Michael Jackson, era inevitável que milhões de crianças e adolescentes fossem seus primeiros súditos. Adultos o viram crescer e carregavam a imagem da criança-prodígio que finalmente chegou lá. Nós, não: o conhecemos apenas como o que ele realmente queria ser, um deus da música, um imortal jovem. Ele é a conclusão das engrenagens que começaram a se mover com Elvis e Beatles, o artista-marca, um nome inatingível, um personagem quase fictício, que movia fortunas e que pode criar seu mundo paralelo que, na década seguinte, se tornaria o mundo bizarro que infelizmente tornou-se sinônimo de Michael Jackson.

Mas entre Thriller (83) e Dangerous (91), Michael Jackson foi o maior artista do planeta, o ícone inalcançável que justificava toda a indústria do entretenimento e alimentava sonhos de fama e fortuna numa escala inimaginável até então. Todos – o público, a mídia, os outros artistas – viviam à sua sombra. Este reinado se transformaria num hospício, à medida em que todos os atos de sua rotina passaram a ser tratados como extravagantes e ele perdeu completamente o vínculo com a realidade.

E do mesmo jeito que ele foi o símbolo de um tipo de fama e de sucesso que não existem mais, também antecipou a realidade fake que nos acostumamos a levar no século 21 – entre plásticas deformantes, hábitos alucinados, escândalos sexuais, decadência financeira, drogas, filhos e processos judiciais, Michael Jackson foi o primeiro astro de um dos primeiros reality shows que nos acostumamos a acompanhar (o outro, o de Lady Di, já foi cancelado na marra em 1997). Até a semana passada.

Mas mesmo com toda histeria, velocidade, susto e dimensão que a morte de Michael Jackson atingiu, ela não chega nem de perto a ofuscar sua música. Por maior que tenha sido sua vida de celebridade máxima durante os anos 80 ou a de homem-elefante pós-moderno nos anos que se seguiram, estas facetas são passageiras e pertencem ao mosaico de imagens que chamamos de história. Uma enorme parte de seu repertório, não – e consegue soar moderna mesmo com um quê de nostalgia. Menos “Billie Jean”, que parece uma música que ainda nem foi lançada, tamanha atualidade e apuro estético, carregando, como toda obra-prima, o viço de novidade e a carga de emoção de seu primeiro impacto. E quando você ouvir o tum-tá, tum-tá, tum-tá, tu-tá acompanhado do baixo tun-dundundundundundun-tun-dundundundundundun e o teclado que acende a calçada quando pisa, já sabe: hora de ir pra pista. Não é nem seu cérebro que manda – é o seu quadril que vai.

Materinha no Link de hoje.

Era do disco morre com Michael Jackson

É impossível quantificar downloads envolvendo o rei do pop – que em vida vendeu 750 milhões de discos – após sua morte

Logo após o anúncio da morte de Michael Jackson, na última quinta-feira, o torrent com toda discografia do cantor contava com 117 usuários ativos, compartilhando um arquivo com quase dois gigas de músicas. Em menos de 24 horas, o número subiu inacreditáveis 16.184. A sexta-feira ainda viu surgir outros quatro novos arquivos com toda discografia do cantor – um deles, ‘DeLuxe Edition’ tinha quase sete gigas de MP3.

E isso diz respeito a apenas um arquivo, em um único site, o PirateBay. Fora as outras dezenas de sites de compartilhamento, milhares de links em sites de armazenamento online (do tipo Rapidshare) e milhões de MP3 trocados entre fãs conectados, que também assistiam vídeos no YouTube e compravam seus discos de forma legal.

Em menos de seis horas, seu nome apareceu no topo das buscas de agregadores de blogs de MP3 (como o Hype Machine), de redes sociais (como a Last.fm) e de lojas online (como a Amazon e iTunes). Na Amazon, o rei do pop conseguiu mais um feito espetacular, mesmo depois de morto. Nada menos do que 18 discos entre os mais vendidos da loja eram ou do cantor ou de sua banda com seus irmãos, o Jackson 5.

A notícia mexeu com a internet de forma ainda mais brusca: não bastasse ter derrubado os servidores do Twitter no breve intervalo entre o anúncio de que Michael estava sendo transportado para um hospital em uma ambulância e a confirmação de sua morte, a rede social tornou-se o principal canal para saber o que estava acontecendo com o cantor. Todos linkavam todos e logo que sua morte foi confirmada, Michael Jackson dominou nove dos 10 tópicos de discussão do dia – na décima posição, a pantera Farrah Fawcett, que também morreu no mesmo dia. Foi o suficiente para que o Twitter não suportasse a quantidade de acessos.

Não foi só o Twitter. Segundo Shawn White, diretor de operações da Keynote System, empresa que monitora o tráfego na web, “a velocidade média de download em sites de notícias dobrou de menos de quatro segundo para quase nove segundos”, disse em entrevista à BBC.

Por mais que as versões digitais ou mesmo os discos em si – sejam CDs ou vinis – possam dar uma ideia do impacto da notícia da última quinta-feira, ela é certamente infinitamente menor do que os milhões de MP3 trocados e baixados de forma ilegal.

Artista com 750 milhões de discos vendidos em seus 45 anos de carreira, Michael Jackson foi, durante pelo menos dez anos, o rei do pop. Como Elvis Presley antes dele, fez parte de um movimento que alavancou não apenas gerações de novos artistas, mas também vendas de discos. Com sua morte, muitos levantaram a inevitável dúvida que sucede a morte de qualquer astro: e quem será o próximo rei?

Ninguém. Do mesmo jeito que é impossível rastrear a quantidade downloads envolvendo o artista, não há mais cenário que propicie o nascimento de um mito desta proporção.

A música, da mesma forma que aconteceu com tudo depois da internet, saiu da mão de algumas dezenas de artistas e centenas de executivos para alimentar gratuitamente nichos infinitos. Michael Jackson é sinônimo de uma época em que o sucesso de um artista era medido em discos vendidos – uma era que metaforicamente morre junto com ele.

Números
2 vezes mais tweets por segundo. Assim que a morte de Michael Jackson foi anunciada, o número de mensagens no serviço dobrou, segundo Biz Stone, co-fundador do site
22,61% de todas as mensagens trocadas no serviço, na hora que a morte foi confirmada, eram sobre o astro
40.000 vezes a cada hora. Foi o número de vezes que foram reproduzidas, na Last.fm, músicas de Michael Jackson, na manhã da sexta, dia seguinte à morte
11% foi o aumento de acessos à internet nos EUA para saber informações sobre a morte

Uma em 1981…

…e outra em 1984.

Pescadas pelo Lívio.

O blog Mashuptown também fez sua homenagem ao ídolo morto compilando boa parte dos mashups já feitos com bases instrumentais ou vocais do Rei do Pop. E quem entende de mashup sabe que Michael Jackson é sempre matéria-prima perfeita pra qualquer mistureba – é só o DJ não inventar muita moda e encaixar A com B…


DJ Schmolli – “Justice for Billie Jean

4:20

Daqui.

Se você acha que isso é totalmente gratuito…

No dia da morte do Michael, em Porto Alegre.