Dance

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Há quase uma década numa missão de aproximar “antigas, novas e possíveis tradições” da cultura africana para a cultura brasileira, o grupo Höröyá, idealizado pelo percussionista André Piruka, leva para o palco da choperia do Sesc Pompeia nesta quinta-feira mais uma celebração reunindo músicos e dançarinos em um espetáculo inédito, chamado de Höröyá Pan África Brasil, que reúne músicos e dançarinos da Guiné-Conacri (como o Mamady Keita, Djenab Soumah e Djanko Camara), a dançarina baiana Rosangela Silvestre e os senegaleses Aziz Mbay e Moustapha Dieng, celebrando a cultura do oeste africano (mais informações aqui). Aproveitei a deixa para bater um papo com Piruka sobre a renascença da cultura do continente negro em uma época tão bizarra quanto a que estamos vivendo politicamente.

La Roux sem alma

supervision

Não é que Supervision, o disco que La Roux levou seis anos para nos mostrar, seja um disco ruim – mas falta uma pressão, uma ousadia, um senso de risco, que parece ter sido perdido. Tecnicamente, é um disco de música pop perfeito, mas é frio e distante, soando mais como trilha sonora para paisagens urbanas em movimento do que propriamente para a pista de dança. É um disco que só funciona, mesmo quando funciona bem (especificamente em “Automatic Driver”), e acaba soando como um template de anos 80 de um programa de edição de áudio. Infelizmente.

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Os dois singles (um com Lydia Lunch e outro com FKA Twigs) foram só um teaser e o produtor chileno-americano Nicolas Jaar lança o álbum 2017-2019, tirando todo o tom pop que predominava na coletânea anterior de seu projeto Against All Logic (o excelente 2012-2017) transformando-o em uma arma de combate. A melhor explicação para a mudança vem logo na primeira faixa, quando picota vocais de Beyoncé sobre uma base bate-estaca que implode o ouvinte em uma pista de dança mental, febril e agressiva, consolidando-o como um dos melhores produtores em ação atualmente.

Detalhe: os dois singles anteriores não entraram no disco.

poolside2020

Low Season, disco novo do grupo californiano Poolside, vai para o extremo oposto de seu disco mais recente (o ótimo Heat, de 2017) e traz músicas para deitar numa praia vazia sem pressa pra sair – e sem sair de seu preciso rótulo “disco music diurna”.

No sossego…

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O mestre haitiano-canadense Kaytranada lança a versão em vídeo para uma das melhores músicas de 2019, “10%”, sua parceria com a irresistível cantora colombiana Kali Uchis.

Pra sair deslizando na pista…

Foto: Leonardo Bicalho

Foto: Leonardo Bicalho

Edgar canta “Carro de Boy” – inspirada em fatos reais – desde antes do lançamento de seu Ultrassom, mas a música, na edição final, ficou de fora do disco – mas não dos shows. Com a participação de Rico Dalasam, a faixa equilibrava protesto e festa fazendo todo mundo dançar com sangue nos olhos. Descrevendo uma situação infelizmente corriqueira no Brasil (o playboy que mata alguém pobre atropelado e sai ileso porque não é pobre), a faixa finalmente é lançada com um clipe contundente que joga na cara o ponto-chave deste questionamento: o genocídio negro contínuo no país.

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O grupo inglês Metronomy abriu os trabalhos de 2020 no último dia do mês, mostrando a inédita “Up, Higher”, que deveria ter entrado no ótimo Metronomy Forever, um dos melhores discos do ano passado, mas que ficou de fora no corte final.

Felizmente saiu agora, a música é redondinha.

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Nicolas Jaar mostra duas novas faixas de seu projeto pop Against All Logic que contam com participações especialíssimas: “Alucinao” vem com vocais de FKA Twigs e “Illusions of Shameless Abundance”, com Lydia Lunch, que ele já havia mostrado num mix no meio da semana.

Duas pedradas!

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Depois de dois petardos precisos lançados no ano passado – a deliciosa “Don’t Start Now”, uma das melhores músicas de 2019, e a faixa-título do próximo álbum, “Future Nostalgia” -, Dua Lipa saca mais uma música de seu novo repertório e mostra-se disposta a dominar as pistas em 2020, mesmo que soando como se fossem os anos 80 – a era do futuro que vivemos agora, afinal. “Physical” pega pesado.

Seu Future Nostalgia será lançado dia 3 de abril e já está em pré-venda.

HayleyWilliams

Não sou chegado em Paramore, à exceção da ótima “Hard Times” que lançaram há três anos, mas sua vocalista Hayley Williams mostra que pode ir muito além de sua banda original ao lançar os primeiros singles de seu primeiro disco solo, “Simmer” e “Leave It Alone”.

Esta última, especificamente, é bem boa e mostra um rumo completamente diferente de sua banda. Petals for Armor, seu primeiro disco, será lançado em março deste ano.