Clipe

Quando mudou-se para a Finlândia, o cineasta André Peniche levou poucas coisas do Brasil – entre elas, um certo “tesourinho”. “Muito antes de morrer, ou melhor, pouco antes de recair na bebida, Júpiter deixou comigo o que ele chamava de ‘tesourinho’. Era basicamente uma cópia de cada disco lançado e outras raridades”, me explica por email, se referindo ao legado póstumo do papa psicodélico Júpiter Maçã, que aos poucos começa a ver a luz do dia. “Algumas dessas raridades estavam também com outros amigos músicos que tinham ainda mais participação do que eu na vida do man. Isso ficou comigo por uns dois anos antes de sua morte e claro, após 2015, quando ele faleceu. Ano passado me mudei para Helsinque, Finlândia, onde hoje resido, e uma das poucas coisas que trouxe comigo foi o tal ‘tesourinho’. O motivo? Não sei… Em parte talvez pois estou lentamente trabalhando num documentário extenso sobre ele mas em outro, pois simplesmente achei que devia.”

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Depois de parir seu Rastilho a partir de um acidente de skate, Kiko Dinucci reencontra a velha prancha ao convidar integrantes do coletivo Velô Skatearte para fazer o clipe de “Febre do Rato”, que ele apresenta em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, bem como conta a história de como o clipe aconteceu. Veja abaixo:

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A jovem banda paulistana Crime Caqui planejava lançar seu primeiro disco de estreia em 2020, mas foi inevitavelmente abalroada pelos imprevistos desse ano, que forçou as quatro instrumentistas a tocar seus trabalhos em outro ritmo. “Obviamente, tínhamos alguns planos e ideias pra essa música que acabaram mudando drasticamente quando estourou a pandemia”, explica a vocalista e baixista Yolanda Oliveira. A guitarrista Larissa Lobo completa: “Por conta do distanciamento físico, esse ano não conseguimos iniciar a gravação do nosso primeiro disco, mas tivemos esse tempo para definir melhor o projeto.” Nesse meio-tempo, lançaram algumas músicas, alguns clipes e agora encerram seu 2020 com a gravação de sua música mais épica, a intensa “Naufragar”, que ganha um improvável clipe caseiro e artesanal, que estreia em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Sentimos a necessidade de registrar o nosso estado de espírito através de gravações feitas por nós mesmas de cenas do nosso cotidiano no decorrer dos dias”, prossegue Yolanda, “decidimos que o clipe seguiria nessa linha, achamos que poderia surgir uma conexão interessante já que a canção não tem nada a ver com esse assunto. As imagens foram gravadas no decorrer desse ano – desde junho até uns dias atrás, quando fizemos as últimas captações pra compor a montagem – enquanto isso a música ia sendo finalizada. Se tornou uma espécie de diário sensorial que relata a nossa percepção do ano de 2020. Também, assim como o ano está se encerrando, esse single é o último da leva e encerra um ciclo para nós.”

A guitarrista May Manão continua. “Idealizamos o clipe já pensando na situação atual de pandemia pois era e ainda é nossa realidade durante a pós-produção da música. Filmamos a nós mesmas trazendo uma interpretação individual da música e relacionando com nossas vivências no confinamento e a nova percepção dos espaços das nossas casas.”

“Esse ano aconteceu num ritmo diferente né, nossos planos e encontros foram interrompidos e o que era pra ter sido começado, foi adiado”, conclui Larissa. “Mas foi importante também porque conseguimos fazer e criar outras coisas e além de amadurecer algumas ideias. Em outubro a gente se reuniu brevemente e gravamos um material novo, com músicas inéditas, que deve ser apresentado no início do ano. Vai ser bem chique! Também tivemos esse tempo para definir melhor o projeto e é praticamente certo que faremos algo no esquema de financiamento coletivo. Então aguardem a nossa chamada!”

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A cantora inglesa Arlo Parks lança mais um single de seu primeiro álbum, Collapsed in Sunbeams, que será lançado no início do ano que vem – e “Caroline” confirma tanto a doce textura de suas voz e canções quanto que o disco pode surpreender.

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Depois de assumir a presidência dos EUA em um clipe, Ariana Grande agora recria-se a si mesma como uma cientista de filme de ficção científica dos anos 50 em outro vídeo de seu ótimo Positions, na música mais sexy do disco, “34+35”.

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Lana Del Rey visita a “Summertime” dos irmãos Gershwin, sem explicar se a faixa eternizada por Billie Holiday estará em seu novo disco de natal que ela anunciou há algumas semanas.

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Miley Cyrus começa a mostrar seu próximo álbum, batizado Plastic Hearts, que entre seus produtores traz Mark Ronson e traz participações especiais de nomes como Billy Idol, Joan Jett e, acredite, Angel Olsen. E a música que ela escolheu para iniciar os trabalhos do disco foi “Prisoner”, em que divide os holofotes com uma das estrelas de 2020, a inglesa Dua Lipa. O single, grudento, mistura uma sonoridade rock de boutique, que parece ser a tônica do disco, pelos convidados, com um groove dance robótico que não deixa ninguém parado.

Ao comentar sobre a inusitada participação de Olsen no disco de Cyrus, Ronson twittou que “‘Bad Karma’ (a música em que Olsen participa) foi escrita como uma jam session no Max’s Kansas City em 1976 com Ace Frehley e Joan Jett – não foi isso, mas vocês entenderam, uma parada rock’n’roll pura e crua. As guitarras de Angel Olsen cortam como arame farpado”. Será que nossa musa vai participar apenas como guitarrista? Tomara que não. Plastic Hearts sai na semana que vem, está em pré-venda, e sua capa e ordem das músicas seguem abaixo:

“WTF Do I Know”
“Plastic Hearts”
“Angels like You”
“Prisoner” (com Dua Lipa)
“Gimme What I Want”
“Night Crawling” (com Billy Idol)
“Midnight Sky”
“High”
“Hate Me”
“Bad Karma” (com Joan Jett e Angel Olsen)
“Never Be Me”
“Golden G String”

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A cantora maltesa Yasmin Kuymizakis revisita o hit do Bananarama “Cruel Summer” com seu projeto eletrônico Joon – a versão já havia sido mostrada na coletânea After Dark 3 do selo Italians Do It Better e agora ganha um clipe pós-pandêmico…

“Strange voices are saying… What did they say?…”

Depois de muita espera, a banda paulistana In Venus começa a mostrar seu segundo álbum, sucessor do ótimo Ruína, lançado em 2017. E Sintoma, anunciado para o início do ano que vem (e já em pré-venda pela gravadora No Gods No Masters), começa a se mostrar com o clipe filmado em VHS da faixa “Ansiedade”, uma das dez novas canções anunciadas, que vai para além da seara gótica que a banda já dominava. Rumo aos extremos noise do pós-punk, a banda entrelaça vocais berrados, riffs frenéticos, afinações dissonantes, bateria bate-estaca e visão distópica de mundo, ecoando uma versão curta e barulhenta de um 2020 claustrofóbico.

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Desde o final do ano passado Billie Eilish vem ameaçando seu segundo álbum mostrando aos poucos músicas novas: primeiro foi a melancólica “Everything I Wanted”, que seguiu-se da suntuosa “No Time to Die”, tema do próximo filme de James Bond, para finalmente chegar à balada “My Future”. Em comum, as três músicas encontravam-na mais reservada, mais séria e de alguma forma introspectiva, mas finalmente ela mostra que a Billie que encantou o mundo ano passado segue firme, ao apresentar o single – e o clipe – de “Therefore I Am” nesta quinta-feira.

Sozinha num shopping center (a Glendale Galleria, um dos maiores shoppings de Los Angeles), ela diverte-se sozinha, passando por cima de balcões, surrupiando comida e dominando o cenário como se fizesse uma metáfora para a invasão que fez ao showbusiness no ano passado. A letra encerra um pé na bunda com estilo e o clipe, filmado em uma noite, com um iPhone, reforça que ela só precisa dela mesma para seguir galgando rumo ao topo do pop.