Brasília, 50 anos

Hoje minha cidade querida completa meio século e o Camilo me convidou pra falar sobre o Legião Urbana no especial que ele organizou pro Vírgula.

Se o rock dos anos 80 foi a oxigenação atrasada que nosso pop pedia desde os tempos do tropicalismo, para Brasília – e graças ao Legião Urbana – foi o momento da criação. Antes do Legião não havia nada na capital, basicamente porque Renato Russo bolou toda a história de sua carreira calcado na mitologia clássica do rock. Foi a transformação do Legião Urbana em porta-voz de uma cidade que não era vista como uma cidade que fez com que Brasília nascesse culturalmente, tanto para o resto do Brasil quanto para si mesma.

E de uma hora pra outra bandas surgiram feito mato – no final dos anos 80 eram mais de duas centenas. O Legião foi a injeção de auto-estima que fez com gerações seguintes pudessem existir – dos contemporâneos (Capital Inicial, Plebe Rude, Finnis Africae, Detrito Federal, Arte no Escuro, 5 Generais, Beta Pictoris) à safra dos anos 90 (DFC, Raimundos, Low Dream, Little Quail, Oz, Câmbio Negro, Maskavo Roots) passando pela geração Senhor F / Porão do Rock (que inclui nomes tão diferentes quanto Natiruts, Prot(o) e Móveis Coloniais de Acaju), todos foram diretamente influenciados pelo indie popular do grupo de Renato Russo. De Gabriel Thomaz ao Nego Moçambique, ninguém saiu ileso.

E posso falar: nasci em Brasília, o primeiro show que fui na vida foi o lançamento do Dois no Ginásio Nilson Nelson, fui ao fatídico show no estádio Mané Garrincha e entrevistei Renato Russo no ano em que comecei no jornalismo. Vi tudo isso acontecendo na minha frente.

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6 Resultados

  1. Pois eu estava lá desde um pouco antes de você. Estive entre estes músicos dos anos 80 como músico (Banda 69 e Os Rochas) e jornalista (JBr). Tá na hora de alguém mostrar que o Legião e as outras bandas não foram a única expressão vigorosa e inteligente daquela época na cidade. Eles surgiram ao lado de vários outros músicos e artistas, cada um na sua praia, que vicejaram no cerrado naquela época. Como os punks entraram no sitema ” gravadoras majors – Rádio/jabá – imprensa” (por mérito deles, a custa de muito trabalho), ficaram para o resto do Brasil aparentemente como a única coisa que aconteceu ali na época.
    Quem pesquisar (O Carlos Marcelo fêz um belo trabalho na biografia do Renato) vai encontrar um momento muito especial, algo do tipo San Francisco 1966-67 ou Londres em 65-66, onde aconteceu uma efervescência cultural grande, diversa e rica. Brasilia nos anos 80 (79-85) foi muito mais do que estas ótimas bandas que o Brasil conheceu. Um abraço de alguém que mora distante do planalto, mas que tem a alma marcada pela terra vermelha das quebradas da capital federal.

  2. Ali Babá disse:

    Por que fatidico show no estádio Mané Garrincha ?

  3. Fernando disse:

    “indie popular”?

  4. SV disse:

    EU FUI NAMORADO DO RENATO RUSSO! AHAHAH (cantor do Cogu Plutão mode on)!

  5. arlen disse:

    Fui em 88 no show do DOIS tambem emocionante, iniciaram com Daniel na cova, dali em diante nada seria igual

  6. Hello, conterrâneo!