Vida Fodona #048: O próprio rock’n’roll é um mashup

Hoje é só mashup, nem vou falar muito que é pra não dar tempo pra você ficar babando…

– “Slow Angel” – Kylie Minogue vs. Massive Attack
– “Rapture Riders” – Doors vs. Blondie
– “No One Takes Your Freedom” – DJ Earworm
– “Cold Sweat” – Paiting by Numbers
– “Ain’t No Other Pusherman” – Arty Fufkin
– “Frontin’ On Debra” – DJ Reset
– “I Love Bob” – C.H.A.O.S. Productions
– “Hung Up Night” – A+D
– “Damaged Miracle” – Doppleganger
– “Woman in a Land of Confusion” – RObbie Revenge
– “For Those About to Clown” – DJ Riko
– “Can’t Explain, OK?” – Whitney vs. Who
– “Girl Wants to Say Goodbye to Rock and Roll” – Christina vs. Velvet
– “Me Against the Monkey” – Team9
– “Summer Stroke” – Girl Talk
– “Tira a Camizero” – DJ Gorky
– “Led Snoppelin” – Party Ben
– “Close to No One” – ccc
– “God Only Knows Through Chemistry” – Bastard Pet Sounds

Chega junto.

Boa notícia

A coluna Toda Mídia (uma das melhores coisas da Folha, de longe – junto com o Inácio, o Angeli e o Laerte [aliás, essa trip que o Laerte entrou depois que o filho dele morreu talvez seja a maior transformação da história do quadrinho brasileiro e talvez uma das maiores mutações do pop nacional {depois eu escrevo mais sobre isso}, do mesmo naipe da clássica viagem de LSD em que Crumb criou todos seus personagens…]), do Nelson Sá, virou um blog. Aliás, demorou.

Cinco Perguntas Simples: Eduardo Ramos

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Não acabou e não vai acabar. Frescura quem fala que vai acabar. Sempre vai ter gente comprando disco, não importa o formato. O mercado vai ficar menor para o suporte físico, mas nunca vai acabar.

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
Alguém com certeza, porque mesmo com todas as evoluções das técnicas de gravação caseira – hoje dá para fazer um disco muito bom em casa –, ainda existem custos. Afinal o computador que o cara gravou o disco em casa, ele comprou, certo? Para conseguir um som excelente, você geralmente precisa equipamento físico, não apenas plugins e isso custa muito caro… Ou seja, esta pessoa tem que vender sua musica de alguma maneira.
O ponto é que hoje em dia o que realmente dá dinheiro e realmente tem uma otima performance em termos de ganhos são os shows. Então imagino todo mundo voltando aos anos 40/50, quando um disco era uma grande desculpa para colocar a banda na estrada. Artista que não tem um show fácil de levar para a estrada ou não está na estrada é um artista limitado. Já que o circuito de música ao vivo esta muito forte, as empresas estao de olho nisso. Para quem paga um milhão de reais por um festival, em algum momento eles vao pagar – já pagam fora do Brasil – 1 milhão para ter um certo numero de downloads, ou, vamos dizer, gastar 500 mil em um festival e 500 em downloads.

3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
Fluxo de informação. Qualquer um acessa qualquer informação. Antes era muito complicado. Tinha que ter grana para ler revistas ou livros de fora do Brasil. Hoje tudo está linear.

4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
Putz…. qualquer artista pós-97 eu conheci por causa da internet. Quem escuta rádio? Ainda leio revistas, mas internet é o lance.

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Com certeza. Por exemplo poder falar com artistas diretamente. Ou conseguir gravar um disco e distribuir o mesmo sem sair de casa.

Eduardo Ramos é dono da gravadora Slag.

Deixe-se Acreditar

Re:transforme

Domingo é a vez da música de graça (vocês já tão pegando o ritmo?) e hoje eu vou convidar o meu amigo Bruno Pedrosa, DJ e jornalista pernambucano que eu conheci em plena balada olindense, num pique de lenta retransformação inconsciente à base do remix, uma semana antes do carnaval desse ano. Depois fui saber de seu próprio disco, Transformer, em que ele convidava produtores de eletrônica locais pra remixar outros artistas também locais. Um pequeno manifesto da atual música pernambucana, sem o aspecto enfadonho de uma coletânea ou o cabecismo pop de algum pseudo-intelectual (nada contra os pseudo-intelectuais – eu mesmo sou um deles).

Bruno botou algumas faixas do disco no MySpace dele e a minha dica de hoje é o brilhante “Meu Esquema” retrabalhado pelo próprio Pedrosa. Coisa fina, daquelas pra você deixar no ponto no CD player pra hora H com aquela gatinha. Mas não acredite em mim – vai lá e escuta.

Gustavo Abreu x Alexandre Matias

Duelo 3

Hoje tem o terceiro confronto pessoal com o compadre Guab – aproveito aqui pra agradecer o cara pra abrir a pista em menos de 15 dias depois de eu ter porrado aquele poste e fodido com a minha mão quase de vez. Já vão quase nove meses e a recuperação tá no 90% and counting, então é um bom método de fechar um ciclo (afinal, naquela discotecagem eu tava entrando nos 10%…).

Outro bom motivo pra ir é que meu set da minha atual mania (e talvez a sua próxima): mashups. Esqueça aquele 2002 do bastard pop, que trouxe “Stroke of Genius” e “Smells Like Booty”. Há uma subcultura gigantesca de mashupeiros colidindo músicas completamente diferentes entre si (hits da hora, clássicos pessoais, músicas de segundo escalão de ontem e de hoje), dando continuidade à convergência total (a mesma que uma hora vai linkar iPod, celular, GBA, GPS, DV, foto digital, PDA e browser num mesmo aparelhinho minúsculo – no pulso) de nossa época. É muito grande, muito nova, só podia acontecer por causa da internet e do computador, passou daquela fase de só usar vocal de R&B ou hip hop e que, depois que você pega o vírus, dá uma coceira de procurar música nova daquelas que você não tinha desde os… hmmm… doze anos. Na real, vale um texto maior sobre isso – que, uma hora, vai rolar.

Por hora é isso: vão que vai ser foda, eu garanto. No começo da noite ainda tem outro broder, Bruno Pedrosa – o do Transformer – e depois nós três de repente tocamos no esquema truco – cada música, um blefe pra provocar o outro pra soltar o zap. Ou seja: vááários zaps (ah, e a dica é chegar tardão. Começa a noite em outro lugar, e de lá, pro Milo).

E pra quem não tá em São Paulo, o próximo VF é sobre o assunto e provavelmente domingueiro. Ch-ch-check it out.

.mixtape. @ Milo Garage
Rua Minas Gerais 203a. Higienopolis
a partir das 23h
R$ 10 de entrada
sábados.agosto.2006
tel:3129-8027

05 – milo + guab
12 – bia bonduki + guab
19 – bruno pedrosa (PE) + alexandre matias vs guab
24 (quinta-feira) – guab @ clube informal (CAMPINAS)
26 – guab (long set)

poster : mario cappi

Seja mais certo

O Mini agora é colunista do site da Ipanema. Boa.

Tipo um mashup…

Vídeo online não é só nostalgia, na real é tipo um MIS do mundo: “Bring Me the Head of Charlie Brown” é um desenho caseiro dirigido pelo Jim Reardon, quando ele ainda era estudante de animação, em 1986. O vídeo pegou bem e foi uma porta de entrada do sujeito pro mundo dos cartoons – primeiro fez Super Mouse, depois tá no Tiny Toons e hoje o cara tira onda de um dos diretores dos Simpsons. Fundindo Alfredo Garcia do Peckinpah com o Travis Bickle do Scorsese, o filme é uma senhora homenagem aos personagens de Charles Schulz.

DIY Kids

O Coube comentou num comment (adoro isso :P) que esse tipo de vídeo caseiro (duas meninas dublando “Tenha Dó” do Los Hermanos, coisa que toda menina com uma infância com poucos traumas faz com as amigas, trancadas no quarto com o som alto) é o futuro do videoclipe. Concordo plenamente. Vem aí uma geração que vai usar vídeo com a mesma facilidade que essa geração atual (mais nova que a minha), usa o MSN, videogame e o Google. Não duvide: pode acontecer uma espécie de renascença infantil, com vários moleques produzindo itens pop (MP3, vídeos, bandas, filmes, desenhos animados, brinquedos) como uma forma de recobrar a ingenuidade e tranqüilidade de uma infância que esta geração (nascida entre 85 e 95) parece não ter. Porque, preste atenção, as principais brincadeiras de criança que esta safra têm vivido é fingir de ser adolescente (skatista, mano, patricinha). Criança não brinca mais do jeito que deveria brincar. Mas talvez venha aí a tecnologia e a eletrônica pra ajudar, mais uma vez, a gente a se expressar do jeito que a gente quer. Olha aqui outro exemplo. Tem muito mais outros – mas tem que procurar. Mesmo porque eles não querem ser achados… Só querem brincar e mostrar pros amigos.

“Toca aquela…”

10 do Ramiro

O dono da picape hoje é o compadre Ramiro Zwetsch, jornalista e selecta, que toca o site Radiola Urbana e realiza a noite Frankáfrika toda quarta-feira no Sarajevo, em São Paulo. No set de hoje, pérolas do groove:

“Shuffering & Shmiling” — Fela Kuti
“Spanish Grease” — Wilie Bobo
“Freedom” — Peter King
“Yegele Tezeta” — Mulatu Astatke
“Balanço” — Tim Maia
“Familly Affair” — Antibalas
“Frankstein”, Byron Lee
“Kissing My Love”, Spanky Wilson
“Se Segura Malandro” — Jorge Ben
“More Mess On My Thing” — Poets of Rhythm

O balanço da cabeça

Dormência vintage

Não ajuda muito, mas o Gui Mendonça poderia ser um integrante do Los Hermanos ou do Hurtmold. Aquele rosto comprido com barba irregular crescida de qualquer jeito, o cabelo cacheado, olhar de desconfiança, camisa listrada, entre o hippiesmo etno e o hypismo hetero – essa fusão de Al-Qaeda com indie rock que hoje é tão pop, um visual que permeia as principais bandas do Recife e de Olinda, o coletivo paulistano Instituto, os roqueiros que caíram de boca no funk carioca e os skatistas que, depois do Fugazi, do Mike Patton e do John Zorn, começaram a ouvir jazz.

O fato de ele tocar em várias bandas (Curumin, Donazica, Lucas Santtana) também não ajuda a identificá-lo na multidão. Prefere ficar na sombra, aquele coadjuvante eficaz que sabe que, quanto menos ele aparecer, mais o protagonista irá brilhar. O lance é que Gui também é protagonista, embora pareça não querer ser.

Seu projeto solo chama-se Guizado e seu terceiro ou quarto show – ninguém sabia responder com certeza – aconteceu nessa quarta passada, no Sarajevo, aquele inferninho no lado centro da Augusta, em São Paulo, em plena balada Frankáfrika (do pessoal do Radiola Urbana e do DJ Tahira – aliás, grande pedida pras quartas-feiras…). A formação da banda chama atenção: na batera, Curumin (como assim, cê não sabe quem é o Curumin?); no baixo, Rian, que toca com o Instituto, o Cidadão Instigado e com o Maquinado (como assim, cê não sabe o que é Maquinado?); e estreando na guitarra, Regis Damasceno, que também toca no Cidadão Instigado e na banda de Lucas Santtana.

À frente, munido de uma mesa de som, um teclado e uma base de samples, Gui dá início ao jam session que poderia cair pro lado do groove laptop de bambas como Maurício Takara, Notwist e Four Tet – mas a banda faz a diferença. O que poderia se tornar um show cabeçudo e denso, ganha peso e groove ao mesmo tempo, com uma levada funky que viaja pelo jazz, música brasileira e rock. O som ganha uma camada de pós-produção, quando o band-leader – chega até ser irônico chamá-lo assim, o Guizado é mais uma banda do que o projeto solo de Gui, como é de fato – gira botões, oscila freqüências, filtra os vocais (grunhidos sem letras, tratados pela distorção) – é quase um DJ que discoteca a eletricidade em vez de discos, e assim determina o verniz final sobre a crosta 70 criada pela dormência vintage do suingue do power trio. A versão instrumental para “Astronomine Domine” do Pink Floyd resumia bem o clima – psicodelia espacial disfarçada de jazz à brasileira, como se o disco que tivesse dado origem ao mangue beat tivesse sido o Heliocentric Worlds of Sun Ra Vol. 1 em vez do Kutche, do Khaled com o Safy Boutela.

Realidades paralelas que se surperpõem sem querer, a música tem o poder de podermos estar num episódio de “Além da Imaginação”, sem que isso precise ser, necessariamente, uma coisa bizarra e inusitada. Quer dizer: tinham meninas dançando na frente do palco, pra você entender o que eu quero dizer…

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Acabou de passar por São Paulo o quinteto curitibano Bad Folks, country rock fingindo-se de caipira irlandês pra tirar onda de folk. Showzinho classe no Milo, com direito a versões para Clash e Johnny Cash no mesmo fôlego e versão – a pedido – pra um clássico da Steve Miller Band. Pra completar, os irmãos Caio e Cassiano, que puxam o coro na banda, estão com trabalhos solos prontos. Depois eu me aprofundo no assunto, mas já vai baixando as músicas pra ter uma noção.

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Hoje e amanhã tem DJ Dolores no Sesc Pompéia, hoje tem Gram no Studio SP e amanhã, no mesmo lugar, tem o Curumin (é, ele). E hoje começa o festival Calango, no Mato Grosso. Esse eu não vou, mas depois vou trocar uma idéia com o pessoal de lá pra saber que diabos tem acontecido naquelas bandas…