2009: O ano da volta do Legião Urbana?

Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está

Embora muita gente entorte a cara, uma das principais bandas da história do pop brasileiro pode estar às vésperas de renascer para toda uma nova geração. Com o anúncio ano passado que a EMI finalmente vai disponibilizar online o catálogo do Legião Urbana, aos poucos começa uma espécie de Anthology brasileiro, idealizado por Renato Russo desde antes de sua banda existir, que em seus últimos anos de vida idealizava uma caixa com todo o material não-oficial do grupo lançada com o título de Material.

Mas o Legião continua firme e forte, rendendo não apenas dinheiro para sua gravadora e detentores de direitos autorais como reverberando no imaginário coletivo sempre de alguma forma – seja numa regravação, numa peça, num programa de TV. A presença de Renato Russo no imaginário coletivo brasileiro é uma constante maior do que ídolos mais incensados – como Cazuza, Raul Seixas ou os Mutantes – mesmo que não haja o oba-oba característicos dos fãs destes grupos.

Veja por exemplo, um festival realizado em Montevidéu no Uruguai que foi responsável, pela primeira vez depois do fim da banda, por reunir Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá de novo num palco – e para tocar Legião Urbana. Organizado no final de 2008 por bandas fãs uruguaias do grupo de Brasília, o evento teve um público de 2 mil pessoas que teve a oportunidade de assistir, entre outras atrações, ao Dado desafinando no vocal de “Índios”.

O Bruno do Sobremúsica entrevistou o Dado sobre o show no Uruguai:

Assisti da platéia, quente e lotada o Sebastián (vocalista da banda Vela Puerca) cantar “Se fiquei esperando meu amor passar”. Chorei! Muito emocionante, nunca mais tinha ouvido essa música ao vivo… E assim foi até a décima-primeira música quando eles nos chamaram ao palco e o La Trastienda (casa de shows) foi abaixo. Cantei “Índios” acompanhado do pessoal do Bajofondo, Juan, Luciano , Gabriel e Bonfá na bateria… Foi incrível. Na sequência Bonfá cantou “Pais e filhos” e mais uma vez a casa caiu… E assim se deu até o fim, momentos de grande emoção e comoção generalizada, todos acabaram em êxtase numa grande confraternização sulamericana. O melhor é que está tudo filmado. Lavamos a égua…

Isso no Uruguai. Por aqui, mal se fala num grupo que é a única banda pop brasileira que chega aos pés de Chico, Caetano ou Gil no critério quantidade de hits no inconsciente coletivo nacional. Nenhum outro grupo de rock brasileiro teve uma trajetória tão particular e uma aceitação tão instantânea – e massiva – de seu trabalho. Mais do que “porta-voz de sua geração”, Russo teve um papel crucial na história da música pop brasileira, quando ensinou a várias safras diferentes de ouvintes que era possível compor letra de música que não tivesse necessariamente cara de letra de música. Boa parte dos hits do Legião tem letras que parecem ter saído de conversas, de bate-papos, em vez de terem sido propriamente compostas.

E, bem ou mal, Renato Russo foi o arquetípico indie brasileiro. O moleque que não gosta de samba nem de praia, que fica ouvindo suas bandas desconhecidas no quarto, vivendo fantasias rock’n’roll. Renato imitava Morrissey e Ian Curtis quando se apresentava, líderes de duas bandas essencialmente indies, além de ter posado para a foto interna de um disco (V) com a camiseta do Jesus & Mary Chain. Nunca gravou cover, fez apenas citações de músicas alheias no meio de suas músicas. Quando fez concessões à música estrangeira, saiu em carreira solo, foi atrás de um tema para reunir grandes compositores americanos e outro para juntar breguices italianas. “Feche a porta do seu quarto porque se toca o telefone pode ser alguém com quem você quer falar por horas e horas e horas” é uma letra que fala de um comportamento típico do nerd atual – e isso antes da internet ou celulares existirem.

O indie, como tribo, é o nerd do rock (e não necessariamente só do rock inglês pós-86, mas de toda história do rock) – o cara que sabe a ordem das faixas de qualquer disco (pode ser dos Beatles, do My Bloody Valentine, do Engenheiros do Hawaii ou dos Ramones) equivale sua nerdice com gente disposta a aprender a falar orc ou klingon. A sutil diferença entre o indie e o nerd clássico é que os ídolos do primeiro aspiram por algo que os ídolos do segundo ignoram: estilo. Se bem que tem gente que acha que os uniformes dos Beatles (seja na Beatlemania ou no Sgt. Pepper’s) eram mais brega do que os de Jornada nas Estrelas (tudo bem – mas as únicas pessoas que eu vi fantasiadas de Beatles na vida eram bandas cover).

O Legião Urbana podem ser uma peça que está faltando no cenário pop brasileiro atual, que una tanto a geração dos festivais independentes com a cadavérica safra insistente das bandas de rock dos anos 80, aos grupos dos anos 90 que estão cada vez mais perdidos, aos indies ortodoxos que só ouvem bandas em inglês e aos emos cujas bandas podem aprender que compor em português permitem rimas que não são apenas verbos no infinitivo. O fato de Russo ter morrido pode ser crucial para não virar apenas mais um revival – substitui-lo por qualquer vocalista para uma volta do Legião me parece ainda mais risível do que colocar alguém para cantar no lugar de Freddie Mercury e chamar a banda de Queen – e fazer com que o cenário pop brasileiro finalmente se enxergue como um só.

Banda Calypso é indicada ao Nobel da Paz

Ri não!

BELÉM (PA) – Joelma e Chimbinha vão dominar o mundo. A banda Calypso acaba de ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz “por seu relevante trabalho humanitário em prol dos carentes da região Norte”, segundo a nota oficial do Comitê da Paz.

O coquetel de lançamento da indicação aconteceu ontem, no salão Uirapuru, do Hotel Hilton, com a presença do Bispo João Pedro Nascimento, presidente do Comitê da Paz.

O evento, que segue até o dia 15 de fevereiro, será encerrado com o “Show e Copa da Paz”, um jogo de futebol e uma apresentação beneficente da banda Calypso, que será realizada no Mangueirão. O valor do ingresso ainda não foi divulgado.

A banda Calypso não foi localizada para comentar a notícia. O Comitê da Paz, ONG atuante na área de Direitos Humanos, é oriundo dos Boinas Azuis, que foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz edição 1988, pela missão humanitária nos idos dos anos 1957 a 1967, na Faixa de Gaza, Batalhão de Suez.

Largado…

Obama já chegou abolindo o paletó… Subiu uns pontos no meu conceito.

A pureza do olhar da criança

Precisa dizer algo?

E depois do CD?

O que fazer com todas aquelas caixinhas de plástico sobrando?

É uma dica desse livro alemão, que ainda mostra como reciclar, em casa, coisas tão improváveis quanto luvas de borracha, elásticos de calcinha, bóias de criança, canudos, funis, bolas de tênis, entre outros objetos que a gente joga fora quando acha que ficaram velhos.

Manu Bordello S/A

Conheço pessoas que vão sair correndo pros dois lados: um grupo em direção e outro à distância. Mas é isso mesmo, praticamente uma hipérbole de Vila Madalena/Santa Teresa: o show que o Mundo Livre S/A fará no domingo de carnaval no Recife terá participações do cigano Eugene Hutz (o que é que eu tava falando…) e do andarilho Manu Chao. Não é a primeira vez que o Mundo Livre divide o palco com Eugene no carnaval, como Fred 04 lembra em entrevista ao site do Tim Festival – ano passado o vocalista do Gogol Bordello subiu no meio do show da banda pernambucana para cantar “Guns of Brixton”, do Clash. Pra esse ano, falta só a dupla Moretti e Amarante – mas se alguém convidar…

E em menos de doze horas…

Já sabe: ao vivo.

4:20

3 de fevereiro de 1959

E eu não podia deixar o dia de hoje sem pagar meu tributo a um gênio, um ás latino e um one-hit wonder fanfarrão da primeira geração do rock. Há cinqüenta anos, o avião que levava Buddy Holly, Richie Valenz e Big Bopper caía em Clear Lake, Iowa, nos EUA.


Buddy Holly – “Peggy Sue”


Ritchie Valens – “Ooh my Head”


Big Bopper – “Chantilly Lace”

Foi a primeira vez que o futuro do rock parecia efetivamente em xeque, o dia que ficou conhecido com “o dia em que a música morreu“.

Vida Fodona #143: Melhores de 2008 (parte 3)

Conforme o prometido, eis a terceira parte.

Cat Power – “New York”
Diplo & Santogold – “Guns of Brooklyn”
Department of Eagles – “Waves of Rye”
Little Joy – “Brand New Start”
Lykke Li – “I’m Good, I’m Gone”
Girl Talk – “Rockin”
Passion Pit – “Sleepyhead”
Vampire Weekend – “Cape Cod Kwassa Kwassa”
Hercules & Love Affair – “Blind”
João Brasil – “This is How We Dance”
Santogold – “L.E.S. Artistes”
Mickey Gang – “I Was Born in the 90s”
Fujiya & Miyagi – “Knickerbocker”
Portishead – “Plastic”
Black Keys – “Strange Times”

Bora?