Astrolábio – Coma

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Não há nada de novo no som do Astrolábio – projeto que começou pelas mãos dos arquitetos e instrumentistas Arthur Mei e Pedro Cornetta, ambos obviamente apaixonados por Pink Floyd. O som no EP Coma (que pode ser baixado no site de sua gravadora, a Sinewave) é uma peça musical dividida em quatro partes e conduzida pelo andamento hipnótico de sequências de acordes ao piano acompanhadas de solos épicos com a mesma queda para o blues elétrico que David Gilmour. Baixo e bateria, neste caso, ficam em segundo plano e funcionam mais como coadjuvantes para definir intensidade do que protagonistas, como no Pink Floyd. Ocupando o espaço entre a guitarra e os teclados, texturas sonoras analógicas e efeitos vintage ajudam o grupo a entrar em uma viagem que descrevem, em inglês, disposta a guiar “the visitor through strange landscapes created by surrealistic collages, in a mystical and scientific journey to the center of yourself”. Maior blá-blá-blá. Mas dê uma chance ao som:

A descrição – que ganha forma de narração na faixa “Imagens En Mouvement”, dita por Nathália Rodrigues – é melhor compreendida quando descobrimos que Coma é a trilha sonora para um filme de mesmo nome, dirigido pelo próprio Pedro Cornetta, metade da banda. veja abaixo:

Mesmo assim, falta alguma coisa. Talvez seja o primeiro passo rumo a um amadurecimento mais autoral e menos formulaico. Mas é um bom começo.

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5 Resultados

  1. Thiago disse:

    Nossa, que falta de paciência e tato pra falar do trabalho dos caras. Você fala como se eles tivessem obrigação de redefinir o futuro da música. Não há mais quase nada de “novo” hoje em dia, o que não é nem um pouco ruim. Aliás, hoje em dia muito do que tem de “novo” não passa de lixo efêmero. A maioria das bandas sensacionais novas que ouço fazem “mais do mesmo”. As inspirações estão óbvias, mas em que banda/músico não está?

    Isso me cheira a ressentimento barato.

    Enfim, achei o som dos sensacional. Não achei que falta nada, porque é o som que eles querem fazer. Não se mensura arte dessa forma, como se faltasse ou sobrasse alguma coisa. A arte é o que é. A música está aí, em toda sua unidade. Não se olha uma escultura ou uma pintura dizendo que algo poderia ser diferente, que falta algo.

    O máximo de opinião que se pode ter sobre arte é se “te tocou” ou não.

    Se não te tocou, se não se destacou pra você, perceba que isso é SUBJETIVO. Portanto mais cuidado ao escrever uma crítica sobre música dessa forma.

    Se não gosta de algo é melhor deixar passar. Conheço muitas pessoas que vão ouvir e achar sensacional como eu achei, e você ao escrever dessa forma pode impedir que essa música chegue aos ouvidos certos (que obviamente não é o seu). E quando digo certo, não faço distinção entre ter bom gosto ou não, mas de ser o público-alvo e consumidor dessa banda.

    Eu até relevaria uma crítica assim a uma banda profissional, com dezenas de anos na estrada, já tendo feito trabalhos magníficos e tentado repeti-los sem sucesso (o que, ainda assim, cabe aos “ouvidos certos” julgarem), mas de uma banda independente, no começo de sua vida?

    É até cruel.

    • Mas vc tem q pressupor que esse espaço eh naturalmente subjetivo. Eh o meu site, eu nao estou querendo dizer q a importancia citada vah alem do meu proprio gosto pessoal.

      Caso vc nao tenha percebido, eu gostei do trabalho do Astrolabio a ponto de dedicar espaco para escrever sobre seu trabalho e convidar o leitor a ouvi-los e assisti-los. Eh evidente que ha talento ali, mas, como frisei varias vezes, ainda preso aa celula-base do Pink Floyd. O grupo pode sim desenvolver um trabalho autoral a partir dessa referencia, mas nao eh o caso do primeiro disco. Que, mesmo assim, vale ser ouvido.

      E eh obvio q arte se mensura pela concepcao estetica individual. Se o Coma “te tocou”, que bom pra vc, escreva um texto sobre isso, e nao atacando quem escreveu um texto que tem uma opiniao diferente da sua. Isso dah inicios a tediosas e interminaveis discussoes de Facebook – eu me privo disso, tenho um site pra tomar conta…

      E se vc conheceu a banda gracas a meu post “ressentido”, nao custa agradecer. Pois o motivo de eu ter publicado o que acho sobre eles era basicamente esse: mostrar para as pessoas que essa banda merece ser ouvida.

      Se tu nao acha que ser parecido demais com Pink Floyd eh um problema, aih eh contigo. Qm sou eu pra te julgar…

      • Marcelo Hanada disse:

        colocação perfeita, muito obrigado por divulgar os talentos musicais que hoje em dia precisam mais do que nunca serem difundidos por todos os meios, comentarios pragmáticos ficam como uma pedra.. parada, sem cor… música é música !!! sinta e vivaa!

    • silvio disse:

      Desculpe, mas a chupada de Pink Floyd fica muito na cara. Desse lance pós-progressivo, fico com a vertente mais post rock, som do tipo God is an Astronaut.

  2. Paulo Rená disse:

    Palavras da Nathalia Rodrigues (daqui de Brasília), explicando de onde veio a narração:

    “Então, o texto é de Carl Jung. Eles queriam usar o original, de uma entrevista que o cara deu lá em 1900 e bolinha. Só que não autorizaram o uso da voz…aí o Vanderlei, que é o meu amigo, pediu pra eu gravar de qualquer forma e mandar, só pra ver se rolava. Se ficasse bom, eles iriam pedir que eu gravasse em estúdio.

    Gravei no iphone mesmo e mandei. No outro dia ele já me passou o resultado, com inserção da voz e tudo. Parece que a qualidade da gravação já era boa o suficiente e não precisaria de estúdio.”

    Eu curti o som. Ainda não vi o filme.