Apartheid ET

E Distrito 9 é tudo isso que andam falando mesmo. Do mesmo jeito que Blade Runner mudou completamente a ficção científica ao trazer o futuro distante e utópico das sociedades espaciais para o futuro próximo de um planeta Terra em franca decadência, o filme de estréia do diretor Neill Blomkamp aproxima ainda mais o hoje do amanhã. Ao estacionar uma nave espacial à deriva sobre Johannesburgo, o diretor empilha metáforas sobre metáforas para tornar explícitos cada um de nossos preconceitos – e mistura racismo, tortura, canibalismo, xenofobia, miséria, feitiçaria, zoofilia, drogas e armas pesadas com a estética favela movie – tom documental, câmera na mão, chão de terra batida, barracos, crianças e galinhas – que Fernando Meirelles consagrou em Cidade de Deus. O protagonista Wikus van de Merwe é um Michael (do Office) posto em uma situação tão extrema quanto a da tenente Ripley em Alien ou o policial Alex Murphy em Robocop – a diferença é o simples fato de, embora os dois últimos também sejam funcionários de corporações, Wikus não tem experiência militar nenhuma, como a maioria dos telespectadores. Assim, o filme puxa para uma primeira pessoa verité que o torna tão descendente da ficção científica distópica dos anos 80 quanto do documentarismo fictício dos últimos dez anos (Bruxa de Blair, Cloverfield, [REC], Atividade Paranormal). E nos mostra aliens asquerosos que, em última instância, são apenas versões deformadas de nós mesmos. No fim, Distrito 9 chega às mesmas conclusões da ficção científica recente – a de quanto mais nos tornamos soldados, menos somos humanos. Mas até chegarmos neste ponto, atravessamos uma viagem excepcional, de interfaces que flutuam, pessoas que explodem, armas impossíveis e até uma criança ET, com muito som e fúria, neste que é tranquilo um dos melhores filmes de 2009.

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3 Resultados

  1. andré disse:

    District 9 é dos melhores filmes quevejo a muito tempo… um mix de referencias (pode-se até botar o jogos de tiro tipo Counter Strike no meio), uma histori original e ritmo que te deixa grudado de olhos arregalados. muito loko.

  2. arlen disse:

    Digo o mesmo. Achei o filme muito bom e assisti uma versão baixada de internet em q os recursos gráficos não podem ser apreciados tão decentemente quanto num cinema mas, ótimo filme e direção. Não consigo deixar de pensar no Cloverfield quando penso em District 9.

  3. Diogo disse:

    Achei o fime sensacional também, mesmo pecando por alguns excessos na parte final. A comparação com o Michael do The Office tb me bateu na hora!!! O roteiro é riquíssimo e vários temas são muito bem explorados em um filme de 2 horas. Alguém na sessão de cinema comentou ao final: “Isso vai dar série…” e de fato o enredo tem força pra isso sim.