A primeira festa da Easytiiger em São Paulo

Easytiiger

Em uma das Noites Trabalho Sujo do ano passado, um trio apavorou a pista preta ao misturar dance music e indie rock na mesma pegada – a dupla Sam y Mayo e o produtor Carlos Costa debulharam metade da Trackers dando um aperitivo de um novo selo paulistano, o Easytiiger Records. Fundado pela dupla Sam y Mayo – Guto Nunes e André Palugan, que também são dois terços da festa em vinil Puro Sulco -, o selo também conta com o produtor curitibano André Sakr (ex-E.S.S.) no comando e começam os trabalhos em 2016 fazendo sua primeira festa em São Paulo, a Fábrica, que acontece neste sábado, nos Jardins, em São Paulo (mais informações na página do evento no Facebook).

“Essa é a primeira festa do selo, mas não somente com a galera do selo”, me explica o intagueável André Palugan, dessas raras pessoas que não têm conta no Facebook. “A ideia era realmente armar uma festa legal, que representasse o som e a vibe que a gente gosta, e que por enquanto não tem periodicidade nem local definidos – o que eu posso dizer é que a gente tá armando muitas coisas legais com uma série de convidados que a gente admira muito, seja bandas ou DJs”, seguindo a vibe do selo. Abaixo, o resto do meu papo com o Palugan, que fala do recente passado e das novidades para esse ano.

Paluga tenta descrever essa vibe: “Uma mistura entre groove torto do Can, pós-punk no naipe do Durutti Column e algumas das mutações da música eletrônica. Às vezes mais disco, às vezes mais kraut, às vezes mais house, às vezes tudo isso. Dar formato e vida às esquisitices também tá no alvo”, explica. Para a primeira festa, eles reuniram o mesmo trio que tocou na Trackers – a dupla Sam y Mayo e o produtor Carlos Costa -, o próprio Sakr, que baixa de Floripa, onde está morando, direto para São Paulo e o convidado gringo San Proper: “Um holandês muito louco e gente fina. A gente escolheu o San pq ele é bem nossa vibe – nem house nem disco nem rock. É uma feliz imprevisão. Os sets dele são nada menos que incríveis, vide o do Dekmantel em 2014”

Conta a história do Easytiiger.
Resumidamente, em 2012 eu abri um tumblr que tinha esse nome – Easytiiger – e comecei a testar minha vontade em escrever sobre coisas legais – mais sobre música -, mas mais por prática da escrita do que por outra coisa. Corta pra 2013, eu e Guto começamos a conversar sobre uma vontade que eu tinha sobre ter um nano selo de música que não fosse só rock ou só eletrônico, e dali demos o start numa pequena ideia: o que viesse a fazer parte, a gente queria lançar fisicamente, mesmo sabendo da dificuldade. A gente veio de uma época que música = vinil e nada mais natural botar no físico as coisas que a gente resolvesse lançar – fazer é um outro problema, mas a vontade é essa. A gente queria entregar, além do som, a experiência que é ter um disco em mãos. Nesse meio tempo surgiu o André, querendo reativar um projeto de longo tempo dele, a Our Gang. Qdo a gente ouviu o single de “People Get Together”, deu um estalo: ‘É isso’. Nesse tempo, o Sakr foi incorporado ao selo e os três respondem pela Easytiiger. Ele tem muita experiência com produção e tá na mesma sintonia fina que a gente.

A criação do selo tem inspiração na atual cena dance paulistana?
Sim e não. Quando a ideia de selo se estabeleceu no tipo de som que a gente queria botar na praça, me veio a cabeça o Sambaloco, que aparentemente tá voltando. Eles eram muito fodas porque botavam coisas legais no radar da época – e essas paradas entravam em circulação e saíam daquele estado pra um bem mais visível. O que a gente quis foi trafegar num espaço que não era nem rock, nem eletrônico absoluto. A facilidade de ter banda e DJs dá essa liberdade, e a gente vai pelo mood mesmo. São Paulo tem selos incriveis, como a Balaclava e os muitos de música eletrônica, mas eles ou se concentram mais em bandas de rock ou em produtores de música eletrônica. A gente queria a mistura das duas coisas, casando com o som que a gente vestiu, digamos assim.

Quais lançamentos que vocês já fizeram até hoje e quais os planos pra 2016?
O que lançamos foi o EP da Our Gang, com dois sons inéditos – “People Get Together” e “Love Song” – e mais dois remixes, uma pra cada. O de “People Get Together” foi feito pela Selvagem e o de “Love Song” pelo Fabo, um DJ foda da cena curitibana que a gente ama. Um segundo remix de “People Get Together” vai ser lançado quando finalmente o vinil der as caras, e vai ser como o bônus online pra quem comprar. Esse remix é assinado pelo Caio Zinni.
No gatilho, de banda temos o Mootron, de Curitiba, e Sue, de São Paulo. Mootron provavelmente single em 7″, com a original e remix. Sue ainda em hold, mas provavelmente um EP. Mootron é mais “eletrônico orgânico”, e o headman é o Lu Frank, de Curitiba. Sue navega entre Portishead e Chromatics, e trás a Suellen no vocal e eu, Guto e Sakr em todo o resto, mas mais como sombra apoiadora. A mina é foda.
Como DJs, tem o Fumio, de Londres, e os trabalhos-solo do Carlos Costa e San Y Mayo, em formato single provavelmente digital apenas, pela facilidade.

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