A Era do Gelo

Aos poucos 2009 vai assumindo suas cores: um preto e branco desfocado, entre o sonho lúcido e o cinema vérité, em que as barreiras entre gêneros e personalidades vêm desmoronando umas atrás das outras, criando uma paisagem desolada propícia para começar a próxima década. E o terceiro disco dos Arctic Monkeys, “Humbug” têm as qualidades necessárias para demolir, sozinho, algumas boas paredes. A começar pela produção de Josh Homme que, por mais que tenha ressaltado qualidades que glorifica em suas bandas (tente ouvir a passagem em que Alex Turner canta “Yours is the only ocean” em “Potion Approaching” e tente não lembrar do Queens of Stone Age), prefere ajudar o grupo a se distanciar do apelo adolescente do primeiro disco, obsessão do líder da banda, Alex. E por mais que o grupo tente emular o Black Sabbath, o que se ouve é uma versão rock do que Turner já havia nos mostrado ano passado, com seu projeto acústico Last Shadow Puppets. Há, sim, uma clara fixação em soar mais adulto do que divertido, mas o casamento da banda com o produtor torna tudo muito fluido e natural – e talvez não seja exagero imaginar que, com seu terceiro disco, os Monkeys consolidam uma nova fase no rock do Reino Unido. Essencialmente britânicos, eles se distanciam do internacionalismo pop dos escoceses Franz Ferdinand e mostram o que parece ser uma espécie de britpop ainda mais radical que o original. Se o gênero dos anos 90 glorificava a Swinging London, este pop inglês do novo disco dos Monkeys vê os anos 60 como o fim do Império Britânico que um dia mandou no mundo (não estranhem se eles não saírem por aí tocando “Victoria”, dos Kinks e regravada pelo Fall, em algum show do futuro). Coeso e redondo, Humbug já é um dos melhores discos de 2009 – e melhora a cada audição.


Arctic Monkeys – “My Propeller

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10 Resultados

  1. Nobert disse:

    Da onde vc copiou essa resenha Mathias, dos gênios da NME ?

    É incrivel como qlqr jossa q gringo coloca em um pedestal, os tupiniquins assim como os “jornallistas musicais” q em tese deveriam ter uma visão critica, ja vão atrás, recitando as msms coisas, so q em português. Sem esquecer q moda é algo extremamente ligado a novidade e não a qualidade, tirando td essa resenha, citacionismo e dialogo com o passado, essa ,música não passa de uma grande dor de barriga. No entanto com o floreio atráves de intelectualismo, podemos pegar uma merda e vende-la como ouro…

  2. Nao li nada sobre esse disco ainda, manezao (manezona, tou ligado q tu eh a Mayday qdo prefere) do pseudonimo.

    Mais incrivel ainda eh como tem gente q se incomoda a ponto de postar um comentario q, nao eh nem um comentario, eh soh um misto de inveja, cinismo de araque e vontade de aparecer. Nao tem uma pia cheia de louça suja aih nao? Vai ver seu problema eh esse – ou falta de marido.

  3. Yadda, yadda, yadda, Marcus: apreciador soh gosta, nao analisa. Decida-se sobre a minha funcao – eu mesmo jah me decidi 😉

  4. Marcus disse:

    Artic Monkeys representa qualquer coisa de qualquer época? Ah tá. Como apreciador de música você é um bom analista de seriados americanos.

  5. Doc Lee disse:

    Pô, eu tinha gostado da GINGA e da MALEMOLÊNCIA do segundo álbum, meio que me decepcionei com esse. Mas preciso ouvir de novo com mais atenção.

    Não adianta, quando a pessoa já vai ouvir com uma expectativa e se depara com algo muito diferente… expectativas só atrapalham, hahah.

  6. Issae, Doc. Qse sempre expectativa = frustracao.

  7. Strat disse:

    Fala Alê!
    Tá ligado q esse xará aí de cima não sou eu, certo?
    Sei q nao tem nadavê, mas é sempre bom enfatizar…
    abs
    Strato

  8. tiago disse:

    tambem criei expectativas quanto ao album
    entretanto ao ouvir, nao me senti decepcionado, mas era claro q os Monkeys tinham seguido uma linha q jah era evidente em seu segundo disco (musicas como Do Me A Favour e 505) e soh faltava alguem ou algo para lapidar esse lado deles.
    Acredito q para os fas do AM, Humbug nao deve ter sido um album facil de ouvir numa primeira vez, mas pra mim ateh agora esse foi disco mais arriscado da curta carreira deles e por isso (sem contar as otimas musicas do album, destaque para Dangerous Animals) ele deve ser ouvido e apreciado diversas vezes.

  9. tiago disse:

    errata, a musica que tah upada no post nao eh My Prioeller
    eh Dangerous Animals

  10. r. disse:

    fraco

    matianismo explicido