A Banda Mais Bonita da Cidade e o Ecad

Como falar de um fenômeno online duas semanas depois de ele aparecer? Jornalismo básico: procure analisá-lo em novos contextos. Foi isso que fizemos no Link dessa semana: escrevi um texto tentando entender o fenômeno e a Tati fez um infográfico que explica como a Banda receberia direitos autorais do Ecad a partir de seus milhões de views no YouTube. Ei-los:

Ver a banda passar
Você já viu esse fenômeno algumas vezes. Mas desta vez foi bem mais rápido. E no Brasil

Você já viu esse filme – ou melhor, esse clipe. Alguém grava um vídeo de uma música, sem muita pretensão e, por algum motivo inesperado, começa a ser visto diversas vezes por milhares de pessoas e, em pouquíssimo tempo, vira uma modinha, e depois uma febre, e depois um fenômeno. Foi assim com o Cansei de Ser Sexy, com a Lily Allen, com Mallu Magalhães e com Rebecca Black. Uma história que, para quem vive na internet, não parecia mais ser surpresa.

Até que aparece alguém com um gravador descendo uma escada, cantarolando uma música que é só um refrão e encontra-se com um músico, mais outro músico até que chega a uma sala cheia de gente feliz e sorridente repetindo o mesmo trecho, num mantra coletivo, por seis minutos de vídeo no YouTube.

A Banda Mais Bonita da Cidade começou a aparecer na semana retrasada e em pouquíssimo tempo – menos de uma semana – já atingia o seu primeiro milhão de views no site de vídeos. Ninguém entendeu nada. Quem é essa banda? De onde ela vem? É armação? É viral de alguma marca? É uma comunidade hippie? É um exercício de cinema?

Não era nada disso. Com três anos de existência, a banda de Curitiba não é uma trupe de teatro com dezenas de integrantes, mas apenas seis amigos que reuniram outros tantos para filmar um clipe que, como afirmariam logo após acusações online, foi inspirado na versão que o site francês La Blogothèque fez para a música “Nantes”, da banda americana Beirut.

“Oração”, o clipe em questão, até o fechamento desta edição, na sexta passada, já havia atingido três milhões de views no site – e se desdobrado de forma viral tanto na briga de novos fãs contra novos desafetos quanto em remixes, mashups, paródias e todo o tipo de gracinhas típicas a um fenômeno desta categoria.

Em comum com os outros artistas citados no início do texto – e talvez um dos motivos do sucesso do clipe da Banda Mais Bonita da Cidade – há o fato de que eles não parecem ser “artistas”, no sentido mercadológico. Não há direção de arte, plano de marketing, modelo de negócios, efeitos especiais nem superproduções, o que torna a identificação com o público mais instantânea – e menos artificial.

A diferença é a velocidade. O que aconteceu durante meses com o Cansei de Ser Sexy e Mallu Magalhães, está atropelando os dias dos curitibanos. Resta saber se daqui a um mês lembraremos deles. O Ecad certamente sim. Afinal, o escritório de arrecadação de direitos autorais tem um belo problema diante de si: quanto eles devem aos curitibanos por esse tanto de view no YouTube.

Personal Nerd: Quanto eu ganho?

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Sem Resultados

  1. Victor disse:

    Isso significa que, se eu montar uma banda de garagem, gravar umas demos no computador de casa e montar um site com a brodagem de amigos designers, eu tenho que pagar R$ 2,3 mil pra poder colocar no ar minhas próprias músicas? E se o site não tiver receita?

    Que maluquice…

  2. Walter disse:

    A música é realmente interessante. Mais interessante só o comportamento das pessoas: primeiro todo mundo da um “curtir” no facebook ou uma twittada com o video, para mostrar como são “cool” e estão ligados…. Depois vem os comentários “não aguento mais essa banda”… pra mostrar como são ainda mais “cool” e não se apegam às modinhas, e por fim os comentários de “eu nunca gostei dessa banda mesmo…”. Assim como os virais são imprevisíveis, o comportamento das pessoas é previsível, resta agora saber administrar essas fases para tirar proveito.

  3. Érica Elke disse:

    @trabalhosujo rsrsr vão ganhar sim… anrã Cláudia!

  4. RX Urien disse:

    Seu video estourou? Vc não ganha nada porque tdo mundo ta manjando seu pro tools, ableton live, logic pro e VSTs crackeados espertones11!

  5. Esse ECAD é uma vergonha. A campanha de desagravo que estão fazendo no site deles é ridícula, se dizendo vítimas de perseguição das organizações Globo.

    A verdade é que nenhuma organização sem fiscalização consegue ser produtiva. E aí temos um órgão que arrecada milhões, não repassa o dinheiro devido usando artifícios como mudar de leve o nome do autor no registro pra não relacionar com a música, e depois de 5 anos juntar a grana “sobrando” e embolsar para si mesmo.

    Já passou da hora do ECAD ter um papaizão severo em cima de si, fiscalizando e garantindo que o artista ganhe o seu dinheiro devido, e não os intermediários que mais atrapalham do que viabilizam a arte.

  6. Legal o post, mas não concordo com isto:

    “Não há direção de arte, plano de marketing, modelo de negócios, efeitos especiais nem superproduções, o que torna a identificação com o público mais instantânea – e menos artificial.”

    Na real, se ouvirmos o clipe com bons headfones ou caixas de som, pode-se notar uma complexa edição de áudio, composta a partir do que foi captado pelos inúmeros microfones espalhados pela casa e mixados de acordo com o que a câmera enquadra. Esse clipe tem pouco ou nada de amador – ele é recheado de procedimentos técnicos de pós-producão que resultam num “efeito de amador”. E nós, usuários do YouTube, caímos direitinho.

  7. E quem falou em amadorismo? Não é um elogio ao lo-fi, longe disso. Mas isso não foi uma idéia aprovada em uma sala de reunião de uma corporação que toma um andar inteiro de um arranha-céu. Ou você tá colocando a Banda Mais Bonita da Cidade junto com o Black Eyed Peas e a Lady Gaga? É com isso que as pessoas se identificam: com a naturalidade, não com a tosqueira. Não é um Hermes e Renato, é um clipe bem feito.

  8. renato disse:

    Sinto, mas esse clipe foi muito bem pensado.
    Musiquinha cadenciada, bem Indie, neohippies, meninas e meninos moderninhos, e outros personagens. Desta forma quase todos acabam se vendo representado no clipe.
    Sinto, mas é muita inocência achar que uma produção com aquela qualidade foi ao acaso. Foi feita pensando muito bem o que eles queriam. E pra eles, parabéns, conseguiram!

  9. Não tô colocando eles do lado do Black Eyed Peas ou da Gaga, só tô dizendo que houve um planejamento mais complexo do que simplesmente reunir uma galera e sair filmando. Então tem uma direção de arte, e uma direção de som digna de ser encarada como profissional (ao menos competindo com o mercado brasileiro de vídeos musicais). Ele tem esse visual “natural” construído artificialmente, como qualquer audiovisual.

    Por outro lado, a estética lo-fi tem sido utilizada por superbandas também, vide o clipe “White Limo” e “Rope” do Foo Fighters. Tem um clipe do Artic Monkeys feito em VHS também que eu não lembro o nome agora.

    Esses valores de super produção e tosqueira vem se diluindo, talvez por causa dessa produção caseira que rola na web e a apropriação que superbandas fazem dela. E assim como tem as pessoas que curtem essa naturalidade construída tecnicamente, tem as pessoas que curtem tosqueira. Por isso, eu também posso dizer que as pessoas se identificam com Hermes e Renato porque é tosco, e nem um pouco “natural”.

  10. Hector Lima disse:

    se tiver Adsense no vídeo ganham sem passar pelo Ecad. o PC Siqueira e o Felipe Neto dizem tirar uma boa grana assim. mas o vídeo tem que bombar muito pra ter chance no povo clicar neles ao invés de minimizá-los.

  11. Vinicius Fiuza disse:

    Meu, demais o texto. Demais o infográfico.
    Acho que é a primeira vez que fazem um trabalho conjunto desses sobre um “incompreesível fênomeno” musical aqui no Brasil, não? (Digo, tão rápido assim).
    Li o texto e vi o infográfico. Juntos, parecem um mapa do fenômeno.
    Foda. Parabéns.

  12. Ah, sim, o infográfico ficou demais.

  13. Ivanovisk disse:

    mto interessante…

    Ouça a versão HARD da música ORAÇÃO

    http://www.youtube.com/watch?v=BzJEuDbIHUg

    deem joinha se curtirem, pra ajudar a divulgar =)

  1. 31/05/2011

    […] real o post do Trabalho Sujo é sobre a banda mais repetitiva da cidade, mas o infográfico deixa claro que o Ecad não serve […]

  2. 01/06/2011

    […] Leia aqui a matéria completa acompanhada de um belo infográfico 0 Comentário […]

  3. 07/06/2011

    […] O Trabalho Sujo já mostrou (SURPRESA) que não vai ser com o ECAD. […]

  4. 01/07/2011

    […] A Banda Mais Bonita da Cidade e o Ecad Texto do Matias para o Link, e infográfico sobre o fenômeno A Banda Mais Bonita da Cidade, e quanto (e como) o Ecad deveria pagar aos curitibanos pelas milhões de visualizações de Oração. […]

  5. 30/11/2011

    […] Leia aqui a matéria completa acompanhada de um belo infográfico Tweet 1 Comentário por: camrock postado em: 1 tags: a banda mais bonita da cidade, a banda mais bonita da cidade direitos autorais, direitos autorais, ecad, mpb, viral […]

  6. 09/09/2013

    […] a matéria do Link, do Estadão, escrita pelo Alexandre Matias,  relacionando o boom da Banda Mais Bonita da […]